Vamos começar com uma história encontrada no Sefer Seder HaDorot, seção Yemot Olam, quinto milênio, [ano] 4954. Eis suas palavras:
“Recebi por tradição que o Ramban tinha um discípulo chamado Rabbi Avner, que se tornou apóstata [abandonou a Torá]. Sua sorte fez com que ascendesse a uma posição elevada, tornando-se temido em toda a terra.
Depois de algum tempo, no dia de Yom Kippur, mandou buscar seu mestre, o Ramban, e, diante dele, matou com suas próprias mãos um porco, cortou-o em pedaços, cozinhou-o e comeu-o. Depois de comê-lo, perguntou ao Rav quantas penas de karet havia transgredido. O Rav respondeu que eram quatro; ele, porém, disse que eram cinco e quis discutir com seu mestre. O Rav lançou-lhe um olhar de ira, e o homem emudeceu, pois ainda lhe restava algum temor de seu mestre.
Por fim, o Rav perguntou-lhe o que o havia levado à apostasia. Ele respondeu que certa vez ouvira [o Ramban] ensinar sobre a Parashat Ha’azinu, dizendo que naquela parashá estavam incluídas todas as mitzvot e todas as coisas existentes no mundo. Como isso lhe pareceu impossível, transformou-se em outro homem [rompeu com a Torá].
O Rav respondeu: ‘Ainda sustento aquilo que disse. Pergunte o que quiser.’
O homem ficou extremamente admirado e disse: ‘Se é assim, mostre-me, por favor, se consegue encontrar meu nome escrito ali.’
O Ramban respondeu: ‘Pediste corretamente; isso podes pedir de mim.’
Imediatamente retirou-se para um canto e orou. Então veio à sua boca o versículo:
אָמַרְתִּי אַפְאֵיהֶם אַשְׁבִּיתָה מֵאֱנוֹשׁ זִכְרָם
ר' אבנר
Rabbi Avner
Amarti af’eihem, ashbitah me’enosh zichram — “Eu disse: Eu os dispersaria; faria cessar dentre os homens a memória deles” (Deuteronômio 32:26).
Pois contando a terceira letra de cada palavra no versículo, encontramos o nome daquele homem, que era Avner junto com a letra Reish que é a inicial de Rabbi, pois o fato de a Torá chamá-lo implicitamente de “Rabi Avner”, apesar de naquele momento ele ser um mumar [apóstata], é uma indicação de que ele retornou em teshuvá.
Quando Avner ouviu isso, seu semblante caiu, e perguntou ao mestre se havia remédio [tikkun] para sua transgressão. O Rav respondeu: ‘Tu ouviste as palavras do versículo’, ou seja, o próprio versículo que contém teu nome já te disse o que fazer.
O Rav seguiu seu caminho.
Imediatamente o homem tomou um barco sem marinheiro e sem remo, entrou nele e deixou-se levar para onde o vento o conduzisse. E nunca mais se soube coisa alguma a seu respeito. (fim da citação)
O Gaon de Vilna num comentário sobre o Sifra deTzniuta, capítulo 5, declarou:
"E o princípio geral é este: tudo aquilo que foi, que é e que será até o fim dos tempos está inteiramente incluído na Torá, desde Bereshit [Bereshit 1:1] até le-einei kol Yisrael [aos olhos de todo Israel - Devarim 34:12].
E não apenas os princípios gerais, mas até mesmo os detalhes de cada espécie e de cada ser humano individualmente, e tudo aquilo que lhe acontecerá desde o dia de seu nascimento até o seu fim, bem como todos os seus gilgulim [reencarnações], todos os seus detalhes e os detalhes dos detalhes.
Do mesmo modo ocorre com cada espécie de animal doméstico, animal selvagem e todo ser vivo existente no mundo; e com cada erva, planta e objeto inanimado; todos os seus detalhes e detalhes dos detalhes, em cada espécie, bem como os indivíduos pertencentes às espécies, até o fim dos tempos — aquilo que lhes acontecerá e sua raiz.
Da mesma maneira, tudo aquilo que está escrito acerca dos Patriarcas, de Moshe e de Israel existe em cada geração, pois as centelhas de todos eles se reencarnam em cada geração, como é sabido.
E igualmente todos os seus atos, desde Adam HaRishon até o final da Torá, encontram-se em cada geração, como é sabido por aquele que compreende. E assim também ocorre em cada ser humano individualmente [...]" (fim da citação).
Veja também Kol haTor 3:3 na continuação das palavras do Gaon:
"E todas essas alusões estão contidas nos números, segundo o segredo do versículo: “Ha-motzi ve-mispar tzeva’am, le-kulam be-shem yikrá — Aquele que faz sair seu exército segundo o número, e a todos chama pelo nome” (Isaías 40:26).
Isto significa que cada ser criado possui um número fundamental próprio, e que a finalidade ou destino particular de cada um, de acordo com seu nome e seu número fundamental, encontra-se aludida na Torá segundo o segredo de “ma‘assê ve-cheshbon — ação e cálculo”; isto é, por meio do cálculo das letras da Torá através de guematria — gematriot e notarikon, método pelo qual as letras são interpretadas como abreviações ou combinações significativas.
E conforme disseram nossos Sábios acerca do versículo: “Lechu chazu mif‘alot Havayah, asher sam shamot ba’aretz — Ide, contemplai as obras de Havayah, que estabeleceu desolações na terra” (Salmos 46:9). Não leias “shamot — desolações”, mas “shemot — nomes”, conforme a interpretação registrada no Talmud Bavli, Berachot 7b.
As “parperaot la-chochmá — iguarias ou condimentos da sabedoria” são os recipientes que recebem as propriedades espirituais superiores provenientes do Olam HaAtzilut — Mundo da Emanação, através dos miluiim — preenchimentos dos nomes e das letras, e dos miluiim de-miluiim — preenchimentos dos preenchimentos, prosseguindo sucessivamente até o Ein Sof — Infinito.
Ou seja, as letras hebraicas (Otiot) podem possuir significado em sua forma simples, em sua forma expandida ou “preenchida” [milu’in], e ainda no preenchimento das próprias letras que compõem esse preenchimento [milu’in de-milu’in], continuando assim em níveis sucessivos.
E cada criatura e cada ser humano, de acordo com suas funções gerais e particulares, encontra-se aludido em seu próprio nome; e encontra-se também aludido na Torá por meio dos valores numéricos da guematria.
Cabe a cada pessoa de Israel empenhar-se com todas as suas forças para alcançar e compreender o nível dos números superiores — misparim elyonim, ocultos em seu próprio nome por meio dos cálculos de guematria — cheshbon gematriot, os quais estão aludidos na Torá e dizem respeito à missão singular — ha-shelichut ha-yechida’it de cada indivíduo, conforme está escrito: “ish al diglo be-otot le-veit avotav — cada homem junto à sua bandeira, segundo os sinais da casa de seus pais” (Números 2:2).
E acerca disso foi dito: “Yigdal na koach Adonai — Que seja engrandecido, por favor, o poder de Adonai...” (Números 14:17).
Este é o segredo do “ma‘assê ve-cheshbon — ação e cálculo” mencionado em Kohelet 9:10.
Cabe, portanto, a cada pessoa alcançar e compreender os cheshbonot ve-gematriot shemo — cálculos e guematriot de seu próprio nome. Caso contrário, ela poderá ter de passar por um novo gilgul, a fim de reparar aquilo que deixou incompleto neste gilgul.
Pois aquele que não conhece as guematriot e os cálculos que lhe pertencem e que estão ocultos em seu nome está destinado a descer ao Sheol.
E, segundo a explicação de nosso mestre no Tikkunei Zohar Chadash, deve-se alcançar aquilo que está contido em seu próprio cheshbon — cálculo — mediante o poder que está em sua mão. Este é o sentido do versículo: “Kol asher timtzá yadchá la‘asot be-koachachá, asê — Tudo aquilo que tua mão encontrar para fazer, faze-o com tua força” (Kohelet/Eclesiastes 9:10), pois:
“ein ma‘assê ve-cheshbon bi-Sheol — não há ação nem cálculo no Sheol” (Kohelet 9:10).
Isto significa que, no Sheol, já não será possível realizar ou completar esse “ma‘assê ve-cheshbon — ação e cálculo”. A razão é que, com base nesse conhecimento, cada pessoa poderá saber como cumprir sua missão singular neste mundo.
E, quanto mais entramos nos Ikvot Meshicha — “passos do Mashiach”, mais se revelam as alusões de guematria — remezei ha-gematriot, nas quais estão ocultos os segredos das finalidades ou missões destinadas tanto gerais quanto particulares.
E acerca disso foi dito:
“Kol gei yinnassê — Todo vale será elevado...” (Isaías 40:4).
E isto corresponde às gematriot que são chamadas “parperaot la-chochmá — iguarias da sabedoria”, conforme é apresentado no Zohar HaKadosh, Tikkun 70. (fim da citação)
EXEMPLOS DE NOMES CRIPTOGRAFADOS NA TORA:
Veja Tratado Chulin 139b, apesar de Haman só surgir muito tempo depois lá na Meguillat Ester, no entanto, ele já é mencionado na Torá:
"os sábios do Talmude perguntam: 'De onde [encontramos uma alusão a] Haman na Torá?' A resposta é: “Ha-min ha-etz” — הֲמִן הָעֵץ — “Acaso da árvore...?” (que pode ser lido Haman para a forca)
Os Sábios perguntaram a Rav Mattana: “De onde, na Torá, encontramos uma alusão a Haman e seu enforcamento?” Ele respondeu citando o versículo pronunciado depois que Adam comeu da Árvore do Conhecimento:
Ha-min ha-etz asher tziviticha le-vilti achol mimennu achalta? — הֲמִן־הָעֵץ אֲשֶׁר צִוִּיתִיךָ לְבִלְתִּי אֲכָל־מִמֶּנּוּ אָכָלְתָּ — “Acaso comeste da árvore da qual Eu te ordenei que não comesses?” (Gênesis 3:11).
A alusão encontra-se em ha-min — הֲמִן. Quando retiramos os nekudot (sinais vocálicos), temos המן, exatamente as mesmas letras do nome Haman.
De onde [encontramos uma alusão a] Mordechai na Torá?”
Rav Mattana respondeu citando Êxodo 30:23, onde, entre os ingredientes do óleo sagrado da unção, aparece a expressão mor deror — מָר דְּרוֹר, “mirra pura”. Essa expressão é traduzida para o aramaico como meira dachya — מֵירָא דַּכְיָא, cuja pronúncia apresenta uma correspondência com o nome Mordechai — מָרְדֳּכַי." (fim da citação).
E agora, de nossos próprios exemplos:
Nosso mestre, o Ari z'l nos guiou a encontrar muitos códigos importantes na Torá e no Tanack, dentre eles, citaremos estes dois:
Em Zechariah 9:9 no verso que fala sobre o Mashiach Ben David, nós encontramos codificado o nome de Rav Akiva:
Gili me’od bat-Tziyon, hari‘i bat-Yerushalayim; hineh malkech yavo lach, tzaddik ve-nosha hu; ani ve-rochev al-chamor, ve-al ayir ben-atonot.
“Alegra-te muito, filha de Tziyon! Exulta, filha de Yerushalayim! Eis que teu rei virá a ti; ele é justo e vitorioso; humilde, montado sobre um jumento, sobre um jumentinho, filho de jumentas.”
גִּילִ֨י מְאֹ֜ד בַּת־צִיּ֗וֹן הָרִ֙יעִי֙ בַּ֣ת יְרוּשָׁלַ֔͏ִם הִנֵּ֤ה מַלְכֵּךְ֙ יָ֣בוֹא לָ֔ךְ צַדִּ֥יק וְנוֹשָׁ֖ע ה֑וּא עָנִי֙ וְרֹכֵ֣ב עַל־חֲמ֔וֹר וְעַל־עַ֖יִר בֶּן־אֲתֹנֽוֹת׃
Constantemente o Rabi Akiva é associado à figura do jumentinho, por causa de muitos aspectos de seus gilgulim [um deles Yissachar chamado de um jumento poderoso - Bereshit 49:14], da origem de sua alma que veio dos prosélitos, conforme é nos explicado no Shaar haGilgulim, por ele ser da raiz de Kayin e esses é um dos motivos de ele ter dito em Pesachim 49b:
“Quando eu era um am ha’aretz [homem sem instrução em Torá], eu dizia: ‘Quem me dera encontrar um talmid chacham [sábio da Torá], para que eu o mordesse como um jumento (חמור — chamor)!"
Outro exemplo é o nome completo do Rav Chaim Vital criptografo no profeta Isaías 12:2 que trata sobre o Rei Mashiach:
Hineh El yeshu‘ati, evtach ve-lo efchad; ki ozi ve-zimrat Yah Havayah, va-yehi li li-yeshu‘ah.
“Eis que Deus é a minha salvação; confiarei e não temerei, pois minha força e meu cântico são Yah, Havayah, e Ele se tornou para mim salvação.
הִנֵּ֨ה אֵ֧ל יְשׁוּעָתִ֛י אֶבְטַ֖ח וְלֹ֣א אֶפְחָ֑ד כִּֽי־עׇזִּ֤י וְזִמְרָת֙ יָ֣הּ יְהֹוָ֔ה וַֽיְהִי־לִ֖י לִישׁוּעָֽה׃
Chaim Vital
Outro exemplo de código:
Codificado em MEGUILAT ESTHER capítulo Iº no passuq 18 através de RASHEI TEIVOT (INICIAIS) temos o ano 5786 (התשפ"ו) seguido por "ÊSH (אש) - FOGO" e "ËD (אד) - VAPOR" conforme se pode ver abaixo como o ano 5786 marcado em vermelho, FOGO em abóbora escuro e VAPOR em verde.
"Vehayom hazeh tomar'nah sarot Paras u'Madai, asher sham'u et devar hamalkah, lechol sarei hamelech; uchedai bizayon vakatsef."
"E neste mesmo dia dirão as nobres da Pérsia e da Média, que ouviram a palavra da rainha, a todos os príncipes do rei; e haverá desprezo e indignação em abundância."
וְֽהַיּ֨וֹם הַזֶּ֜ה תֹּאמַ֣רְנָה ׀ שָׂר֣וֹת פָּֽרַס־וּמָדַ֗י אֲשֶׁ֤ר שָֽׁמְעוּ֙ אֶת־דְּבַ֣ר הַמַּלְכָּ֔ה לְכֹ֖ל שָׂרֵ֣י הַמֶּ֑לֶךְ וּכְדַ֖י בִּזָּי֥וֹן וָקָֽצֶף׃
O mais surpreendente veio como a deflagração do bombardeio contra o IRAN e sua nomeação como "EPIC FÚRY (זַעַם אַגָּדִי) - ZA'AM AGADI - FÚRIA ÉPICA. Ao reezaminar o CÓDIGO, descobri que "ZA"AM AGADI" também estava codificado no mesmo passuq através de RASHEI TEIVOT (INICIAIS) sendo a letra ZAYIN (ז) de ZA"AM (זַעַם) o ZAYIN de HAZÊH (הזה) e o ALEF (א) de AGADI (אַגָּדִי) o ALEF de TOMAR'NÁH (תֹּאמַרְנָה).
O passuq fala do temor de uma REVOLTA FEMININA inspirada na rebelião da rainha contra a ordem do rei e isso é muito importante.
"No início de janeiro de 2026, o Irã registrou uma nova e intensa onda de protestos deflagrada inicialmente por uma profunda crise econômica, que rapidamente se transformou em um movimento antigovernamental generalizado. As mulheres voltaram a ocupar um papel central na linha de frente da resistência, construindo sobre o legado do movimento "Mulher, Vida, Liberdade" de 2022."
Se você deseja conhecer a localidade do seu nome na Torá-Tanach, nós temos uma pesquisa de código, você deve entrar em contato conosco e escrever para:
baaltzafuntorah@gmail.com
