LAYLA COL HA'TZADIQIM

LAYLA COL HA'TZADIQIM
CLIQUE NA IMAGEM PARA ACESSAR

GRUPO EDITORIAL QUILHA

GRUPO EDITORIAL QUILHA
ARGONAVIS EDITORA: NAVEGANDO O INFINITO - Nossos livros estão à venda pela Argonavis. Clique na Logomarca acima.

O PLATÔ DE ORION

O PLATÔ DE ORION
FICÇÃO QABALISTA DE BËN MÄHREN QADËSH

EU QUERO ACREDITAR

EU QUERO ACREDITAR
CRIPTO-EVIDÊNCIAS DA PRESENÇA ALIENÍGENA NO PASSADO DA HUMANIDADE

Novo Livro

Novo Livro
Duna - O Adormecido Deve Despertar

Os Ecos De Enoch

Os Ecos De Enoch
Página dedicada à criação online da Obra "Os Ecos De Enoch"

PROGRAMA "OS ARQUIVOS X"

PROGRAMA "OS ARQUIVOS X"
Apresentado entre agosto e novembro de 2015. Clique na imagem!

Faça Uma Tzedaká (Doação)

Faça Uma Tzedaká (Doação)
O Segredo Da Doação

domingo, 31 de maio de 2026

OS PORTÕES DA MORTE: "Degraus do Gehinom" - Zohar Pekudei Parte I

Nesta primeira parte elaboraremos sobre os três primeiros palácios da Sitra Achrá:

Zohar Pekudei: Rabi Shimon abriu e disse:

“Ve'héma keAdam avrú berit, sham bagdú bi” (Hoshe'a 6:7) — “E eles, como Adam, transgrediram a aliança; ali agiram traiçoeiramente contra Mim.”

Quem removerá o pó dos teus olhos, Adam haRishon (o primeiro homem), pois o Santo, bendito seja, te ordenou um único mandamento e não pudeste sustentá-lo, porque foste seduzido pelas palavras malignas com as quais te enganou aquela serpente maligna, conforme está escrito: “E a serpente era astuta”.

E por isso te deixaste seduzir por ela e causaste a morte para ti e para todos os descendentes que sairiam de ti. Vem e vê: todo aquele que se deixa seduzir por ela e desce até ela, em um instante se perderá por ela — isto é, cairá sob seu domínio.

Vem e vê: David tinha sua existência fixada na fonte das águas que jorram — isto é, na Biná, pois David corresponde à Malchut superior a partir de Machazé (o umbigo) para cima, onde se encontra o lugar da Biná, da qual vêm sua vitalidade e sua sustentação (como explicado acima).
E quando foi expulso para outra terra, ao fugir de Shaúl e sofreu por causa disso, foi afastado da Terra Santa — isto é, caiu de seu grau, que é a Terra Santa.

E mesmo tendo descido de seus graus a um grau inferior, ele permaneceu firme em sua existência, e não caiu sob o domínio da Sitra Achra nem foi por ela tomado.

O que está escrito? “Porém, vive o Eterno e vive tua alma, que há apenas um passo entre mim e a morte” (I Shemuel 20:3) — pois ele havia descido tanto que havia apenas essa medida entre ele e a morte, e “morte” aqui é a Sitra Achra, que é chamada de morte (como explicado anteriormente). Ashrei — feliz é a porção de quem se guarda desse lado maligno e de todos os graus desse lado que existem no mundo.

Pois há muitas facetas e graus para o Yetzer HaRá (mau instinto): eles são: o Satán (acusador), o Malach haMavet (anjo da morte), e o próprio Yetzer HaRá. E já estabelecemos que, apesar de ser chamado por esses nomes, ele possui, em especial, sete nomes: Satán, Tamê (impuro), Sonê (odiador), Even Mikshol (pedra de tropeço), Arel (incircunciso), Ra (mal), e Tzefoni (oculto do norte).

Estes são os sete nomes que correspondem aos sete graus de seus heichalot (palácios ou câmaras), todos do lado da impureza, como dissemos. E contra esses sete nomes existem os nomes pelos quais o Guehinom é chamado — ou seja, o lugar onde os perversos são julgados.

E são eles: Bor (poço), Shachat (destruição), Dumah (silêncio/morte), Tit HaYaven (lama movediça), Sheol, Tzelmavet (sombra da morte), e Eretz Tachtiyah (terra inferior). Todos estes são os sete compartimentos do Guehinom que correspondem aos sete nomes do Yetzer HaRá.

E os sete heichalot da Sitra Achra são chamados por esses mesmos nomes dos sete compartimentos do Guehinom.

Eis que já estabelecemos que, assim como existem madregot (degraus espirituais) e heichalot (palácios) do lado da kedushá (santidade), também há equivalentes do lado da tumá (impureza). E todos eles existem e exercem domínio no mundo, do lado da impureza. Por isso, há sete heichalot que correspondem aos sete nomes pelos quais o Guehinom é chamado — isto é, nomes correspondentes aos sete níveis infernais. E todos esses palácios estão posicionados para julgar e contaminar os ímpios do mundo que a eles se apegaram, e que não guardaram seus caminhos deles enquanto viviam neste mundo.

Pois aquele que vem para se purificar neste mundo, do lado da pureza, é purificado naquele lugar chamado sod ha’emunáh (segredo da fé), ou seja, em Malchut deQedushá. Ali há muitos madregot (graus espirituais) e muitos memunim (supervisores angelicais), todos posicionados para aproximar a pessoa do serviço ao Qadosh Baruch Hu para purificá-la. Mas quem vem para se contaminar, esse é contaminado pelo outro lado, que é impuro, onde também há muitos madregot e muitos memunim, todos posicionados para contaminar os seres humanos.

Aquele que se aproxima deles e se deixa atrair por esse lado do mal, sobre ele está escrito: “Quem é o homem que viverá e não verá a morte, que poderá livrar sua alma...?” (Tehilim 89:49). Quem é o ser humano criado neste mundo que não verá a morte — isto é, o Malach haMavet (anjo da morte)? Pois todos os seres deste mundo acabam sendo conduzidos a ele.

Quando a pessoa se prepara para prestar contas diante de seu Senhor — isto é, quando está prestes a deixar este mundo —, antes mesmo de falecer, ela vê o Malach haMavet. E isso já foi devidamente estabelecido e explicado.

O primeiro heichal (palácio) é o início do Yetzer Hará. Este primeiro palácio é chamado “poço vazio de tudo” (Bor Reiq mikol). Quem tenta entrar ali, não há quem o sustente para não cair. Todos o empurram para fazê-lo cair, e ele não consegue se levantar. Não há nele nenhum apoio para o bem.

Perush (explicação) do Baal haSulam:
No fim da kedushá, ou seja, após a Malchut de Qedushá (reino da santidade), começa o domínio do Yetzer Hará — isto é, da Sitra Achra, que possui sete nomes, como já explicado. E sobre ela está dito: “À porta jaz o pecado” (Bereshit 4:7), ou seja, à entrada inferior de Malchut repousa a Sitra Achra. Trata-se da Malchut que não foi adoçada em Biná, e por isso é chamada Man’uláh (fechadura), sendo o ponto inicial da Sitra Achra. Como ela deriva da Midat haDin haKasháh (medida do juízo severo), todo aquele que tenta entrar ali é empurrado — todos o fazem cair, sem que ele possa se reerguer. Isso significa que ele perde os Gadlut deNeshamáh (mochin superiores da alma), pois “levantar-se” indica possuir Gadlut (grandeza espiritual). (Chaz ve’Shalom!)

Perush Pashtaní (comentário simples) Haykla Arazuta:
Malchut (dinim) que não foi adoçada por Biná - ou seja, extremo desejo de receber sem aspectos de misericórdia (Biná), como uma "fechadura" trancada por um julgamento severo e implacável, qualquer pessoa que tente cruzar essa barreira ou ceda a essa energia negativa é derrubada espiritualmente, perdendo sua maturidade mental e conexão com a própria alma (Gadlut), restando em um estado de profunda fraqueza espiritual.

Neste heichal encontra-se um supervisor chamado Dumá (דומה) – (Chaz ve’Shalom!) Ele é o mesmo que atua acima, no terceiro heichal da Sitra Achra, e também abaixo, neste primeiro heichal aqui, ele é quem segura a alma quando ela é rejeitada do heichal haQedosh (palácio sagrado) pelo supervisor Tahari’el (טהריא"ל). Esse Dumá (Ch”V) se encontra junto ao portão daquele lado sagrado — isto é, à entrada do primeiro heichal de Qedushá — e ali permanece para agarrar a alma e conduzi-la aos heichalot da tumáh (impureza). Com ele há muitos executores de julgamento e severidade.

Perush Baal HaSulam:
Se a alma não estiver em estado de taharáh (pureza), então o anjo Tahari’el a rejeita, impedindo-a de entrar no primeiro heichal da santidade. E imediatamente o anjo Dumá (Ch”V), que se encontra ali, próximo à kedushá, na entrada da Sitra Achra, a agarra. Esta é a origem do lado impuro, que provém do sod (segredo) do Zachat, o aspecto masculino da Sitra Achra, e que se encontra no início de toda sua estrutura.

E abaixo daquele supervisor, Dumá (Ch”V), está outro supervisor, sob o qual há milhares e dezenas de milhares de subordinados, e esse supervisor é chamado Patut (פתות), Ch”V. Este é o que se coloca para seduzir os seres humanos, e é ele quem se posiciona junto à alma, incitando-a a olhar e contemplar aquilo que não deveria — com relação a muitos atos de fornicação e adultério. Todos esses anjos que estão com ele se mantêm ao redor da alma, caminham à sua frente e a forçam a desviar seus olhos para observar o que é impróprio.

E esse Patut Ch”V é um intermediário maligno, que incita a todos esses atos perversos. Ele está presente junto à sepultura quando o corpo é julgado e quebra os olhos do corpo. Isso porque ele os ganhou enquanto o corpo ainda estava neste mundo — eles lhe pertencem.

Perush Baal haSulam:
Esses dois supervisores, Dumá e Patut são os aspectos de zachar veNekeváh (masculino e feminino) da Sitra Achra, Ch”V. A Midat haDin haKasháh (medida do juízo severo) não causa dano completo logo no início de sua revelação, enquanto ainda está no aspecto masculino da Sitra Achra. Ela precisa se manifestar repetidamente até alcançar força para agir e punir — o que corresponde ao aspecto feminino da Sitra Achra. Assim, Dumá é o aspecto masculino, que apenas agarra a alma, mas ainda não tem poder de puni-la diretamente. Já Patut, que está sob seu comando, é quem seduz a alma a olhar para o que não deveria, ou seja, a puxar Chochmá (Luz do deleite) de cima para baixo (sem a Luz da Misericórdia) — da mesma forma que age a Sitra Achra. Toda vez que isso acontece, a Midat haDin haKasháh se revela no final, como está escrito: “À porta jaz o pecado” (Bereshit 4:7). É nesse ponto que a alma é ferida pelo juízo severo e tem seus olhos destruídos junto ao corpo morto.

Tudo o que o corpo fez neste mundo, a alma é obrigada a repetir no mundo vindouro. E como o corpo caiu na armadilha desse Patut, também a alma cai em suas mãos e realiza aquilo que ele a incita e ordena a fazer. Por isso está escrito: “e eu a forçarei a desviar seus olhos para olhar o que não deveria” — ou seja, por causa das ações do corpo neste mundo. E é o que está dito: “ele se posiciona junto ao túmulo... e quebra os olhos dele, porque foram ganhos por ele enquanto ainda estava neste mundo.” Pois por ter se vinculado a Patut e sua comitiva enquanto vivo, seus olhos foram moldados a partir deles — e por isso, agora, eles lhe pertencem, e ele os destrói.

E nesse lugar — o túmulo — é julgada a alma, até que ela seja lançada num lugar chamado Bor (poço), no qual há muitas serpentes e escorpiões. Eles são mal’achê chabalah (anjos destruidores), e todos eles picam essa alma, a agarram e a julgam.

Mais internamente do que aquele ruach (espírito) chamado Patut, existe um outro espírito de impureza, que está acima de todos. Ele domina sobre todo esse heichal, e todos os outros dependem de sua força. Seu nome é Gamgimá (גמגימא), Chaz veShalom. Ele é avermelhado e agitado, e está sempre pronto para fazer o mal. Quando a prece de uma pessoa é rejeitada, e o indivíduo não tem mérito nela, esse ruach, Gamgimá (Ch' V) , se ergue e se associa com o espírito superior da impureza, que é o Satan (השטן), e então ambos acusam nas alturas, trazendo à lembrança as transgressões da pessoa perante o Santo, bendito seja. E o sinal está na expressão: “E veio também o Satan entre eles” (Iyov 1:6) — pois não está escrito apenas “e veio o Satan”, mas sim “também o Satan” (gam haSatan), o que alude a Gamgimá (Ch'V), que se juntou ao Satan (השטן) para acusar.

Perush Baal HaSulam:
Os dois primeiros ruachot, Dumá e Patut, derivam da Midat haDin haKasháh (medida do juízo severo) que pertence à Malchut, a qual é chamada Man’uláh (fechadura). Já esse ruach chamado Gamgimá se apoia sobre a iluminação de Biná, ou seja, sobre Israel Saba veTevuná (metade de baixo de Biná). Pois quando ocorre uma transgressão no nível inferior, a Malchut sobe até Biná, e com isso as Qlipot se elevam e se apegam à Malchut no lugar de Biná. Por isso ele é chamado Gamgimá — pois traz “gagueira”, isto é, falta de clareza na iluminação de Israel Saba veTevuná. E é isso que significa que ele está “acima de todos”, pois por se apegar à iluminação de Israel Saba veTevuná, ele se encontra acima de Dumá e Patut, que pertencem apenas aos juízos da própria Malchut.

Perush Pashtaní Hayka Arazuta:
Como as forças da negatividade (Qlipot) estão grudadas em Malchut, elas pegam "carona" nessa subida. Elas invadem o nível inferior de Biná. Gamgimá (גמגימא) vem do hebraico e do aramaico na raiz ג-מ-ג-ם (G-M-G-M), o verbo legamgem (לגמגם) significa literalmente gaguejar ou balbuciar. Desta forma, em termos gerais, prejudicando uma transmissão de pensamento clara, fluida e iluminada. Enquanto Dumá e Patut (Chaz veShalom) ativam os julgamentos pesados, Gamgimá (Chaz veShalom) consegue infiltrar até o nível do intelecto.

E desse ruach rá (espírito maligno) derivam muitos outros instigadores do juízo, que são supervisores encarregados de agarrar qualquer palavra impura ou imunda que o ser humano pronuncie com sua boca, e que depois são seguidas por palavras sagradas. Ai deles, ai de suas vidas! Esses seres humanos causam com suas ações que esses instigadores do juízo dominem e causem dano no lugar sagrado. Ai deles neste mundo, e ai deles no mundo vindouro! Pois esses ruachot da tumáh (espíritos da impureza) tomam aquela palavra impura que saiu da boca da pessoa, e quando a pessoa pronuncia logo em seguida uma palavra de kedusháh (santidade), esses ruachot da tumáh se adiantam, tomam a palavra impura e contaminam a palavra sagrada. Com isso, o ser humano não merece aquela santidade — e, por assim dizer, a força da kedusháh se enfraquece.

Perush Baal HaSulam:
O trecho explica como as Qlipot se apegam à iluminação de Yeshsut (Ysrael Saba veTevuná) por causa da transgressão humana. Ele diz: quando o ser humano peca e é afetado pelos juízos de Malchut, sendo rejeitado do heichal da Malchut pelo supervisor Tahari’el (טהריא"ל), isso é considerado como se ele tivesse pronunciado uma palavra impura com sua boca. E se, antes de ter se purificado de sua tumáh (impureza), ele atrai a iluminação de Yeshsut, então as forças externas (chitzonim) tomam a falha que ele causou em Malchut e a projetam também sobre a iluminação de Yeshsut. É isso que o texto diz: “tomam aquela palavra impura” — ou seja, o dano causado nos juízos de Malchut. E mesmo que, posteriormente, a pessoa pronuncie uma milá qedosháh (palavra sagrada), ou seja, mesmo que atraia a iluminação de Yeshsut, e mesmo que ela mesma não tenha manchado diretamente esse nível, ainda assim, essas forças pegam a impureza da primeira palavra e a transferem para a segunda — a palavra sagrada. Assim, as Qlipot se apegam, por assim dizer, também à iluminação de Yeshsut (Ysrael Saba veTevuná).

Perush Pashtaní Haykla Arazuta:
Um processo de contaminação espiritual onde a transgressão gera uma impureza nos juízos rígidos de Malchut. Se, antes de se purificar desse defeito através da Teshuvá, o indivíduo tenta "atrair a iluminação de Yeshsut" — o que significa buscar estados elevados de consciência, clareza mental e conexão com as luzes intelectuais superiores —, as forças negativas (Qlipot) pegam a impureza fixada no nível inferior e a projetam sobre a luz sagrada que é atraída.

E acima destes há um supervisor, cujo nome é Sefseritá (ספסיריט"א), Ch”V. E muitos incitadores de lei e julgamento estão com ele, e esse supervisor, que está sobre eles, toma todas as palavras más que o ser humano pronunciou (como foi dito no trecho anterior), e também toma todas aquelas coisas que o homem lançou com as mãos no momento em que a ira se apoderou dele. Pois então esse supervisor, Sefseritá (Ch'V) segura aquele objeto que o homem atirou em sua ira, sobe e diz:
“Este é o sacrifício de fulano que ele ofereceu ao nosso lado.”
(Chaz veShalom!)

Pois todo o lado da tranquilidade pertence ao lado da direita e da fé (Emuná, Malchut da Santidade), e todo o lado da ira pertence ao outro lado — o lado mau e impuro. E por isso, aquele que atira algo com suas mãos em sua ira, todos os que pertencem ao lado do mal tomam esse objeto lançado, elevam-no para cima e o aproximam daquele lado, dizendo:
“Este é o sacrifício de fulano.”

E o arauto clama em todos os firmamentos e diz:
“Ai de fulano, que se desviou após um deus estranho, e serviu a outro deus!”
E o arauto clama uma segunda vez e diz:
“Ai deles, pois se afastaram de Mim...”
Bem-aventurado é o homem que guarda seus caminhos e não se desvia nem para a direita nem para a esquerda, e não cai no poço profundo, do qual não é possível sair.

O segundo Heichal da Sitra Achrá.
Este palácio é mais escuro do que o primeiro. Este palácio é chamado Shachat (Destruição), correspondente ao nome do Yétzer HaRá que é chamado Tamê (Impuro). Pois o primeiro palácio é chamado Bor (Poço), correspondente ao nome do Yétzer HaRá que é chamado Satan, e este é chamado Shachat, correspondente ao nome do Yétzer HaRá chamado Tamê. Neste palácio há três portais.

O primeiro portal:
Nele se encontra um supervisor, cujo nome é Astiryá (עסטירי"א), Ch”V, e há milhares e dezenas de milhares de anjos de destruição (malachê chabalah) sob sua autoridade.
Ele está sobre todos aqueles que corrompem seus caminhos ao derramar sêmen sobre a terra, ou que emitem sêmen de maneira não natural, ou todos os que se masturbam com as mãos.
Estes não veem o rosto da Shechiná de modo algum. Apenas este supervisor, do lado da impureza, que mencionamos, sai naquele momento, e com ele milhares e dezenas de milhares — todos se reúnem sobre aquele homem para contaminá-lo neste mundo.
Depois, quando a alma dele sai deste mundo, esse supervisor, Astiryá (Ch'V) e todos os que estão com ele, contaminam sua alma, agarram-na e a levam para ser julgada entre eles.

E estes, os malachê chabalah (anjos de destruição), são chamados “shichvat zéra rotechat” (שכבת זרע רותחת, “sêmen fervente”), pois todos os coléricos impuros estão presentes sobre isso — todos eles se colocam e repousam sobre o homem naquele momento em que ele se aquece (no desejo), e são eles que o aquecem para essa paixão. Então, tomam aquela paixão, e aquele sêmen que foi derramado na terra, fortalecem-se com ele e o elevam para cima, e causam que o pacto superior — que é o Yesod (fundamento) — seja submetido ao lado da impureza. Ou seja, para proporcionar prazer e fortalecimento a eles.

O segundo portal:
Ali está de pé outro supervisor, cujo nome é Taskifé (טסקיפ"ה) Ch”V. Este é o supervisor sobre todos aqueles que corrompem seus caminhos, e não derramam seu sêmen sobre a terra, mas o derramam sobre animais ou em transgressões severas da Torá, como as arayot (relações sexuais proibidas). Este supervisor e os muitos milhares e dezenas de milhares que estão com ele, todos se colocam sobre ele para julgá-lo — assim como dissemos sobre aqueles que são julgados no primeiro portal.

Vem e vê: este supervisor tem em suas mãos um cálice, e é chamado “Cálice da Amargura” (Kos HaTarála), o cálice de Sua ira. E todos aqueles executados pelo tribunal (Beit Din) ou punidos por essas transgressões, todos eles foram arrancados destes lados da impureza, e não têm parte com eles. E esse cálice, que é chamado Kos HaTarála (כוס התרעלה), está ligado ao outro cálice que beberam no início, aquele que o Beit Din lhes deu antes de sua morte. E a sua morte pelo tribunal é a sua expiação.

E todos aqueles que não beberam daquele cálice do Beit Din — ou seja, que não foram executados pelo julgamento do tribunal — serão tomados posteriormente por esse cálice da amargura. Quando sua alma sai deste mundo, esse supervisor e todos os que estão com ele o agarram, e este é o dia amargo; e aquela alma bebe desse cálice e sofre muitos tipos de julgamentos, variados uns dos outros.

Neste palácio está presente um espírito, sob o qual aqueles citados acima estão subordinados, e seu nome é Niatiryel (ניאציריא"ל), Ch”V.

E desse espírito poderoso saem três gotas amargas, que caem dentro desse Kos HaTarála (Cálice da Amargura). Uma se chama Chatzatz (חצץ), que significa “corte” ou “aniquilação”, como está escrito: “e o número dos seus meses cortaram” (Jó 21:21). A segunda se chama Mar HaMavet (מר המות, “amargura da morte”), como está dito: “certamente passou a amargura da morte” (I Samuel 15:32). E a terceira se chama Kova’at (קובעת), como está dito: “cálice de vertigem da amargura” (Isaías 51:17). E essas três gotas caem, então, desse cálice sobre aquela espada do Malach HaMavet (anjo da morte) que mata os seres humanos.

O terceiro portal:
Ali se encontra um supervisor, cujo nome é Sangadyel (סנגדיא"ל), Ch”V. Este é o supervisor sobre todos aqueles que introduziram o pacto sagrado (Brit HaQodesh) em uma mulher estranha — que é do lado de um deus estranho (El Nêchar), e todos os que corrompem seu caminho nisso, e mentem no sinal do pacto sagrado.
Este supervisor e todos os supervisores com ele desenham dentro de si imagens daquelas mulheres impuras, nas quais foi profanado aquele Brit HaQodesh, e todas essas imagens ficam registradas diante dele quando o homem sai deste mundo, e depois contaminam aquele espírito.

E neste palácio estão suspensos todos os segredos da feitiçaria, para matar seres humanos antes do tempo determinado, e todas as magias que os homens utilizam — estão pendentes aqui.
Aqueles que praticam feitiçaria para se contaminar com ela, como Bilam, que praticava feitiçaria com seus encantamentos, primeiro se contaminavam com a impureza do sêmen fervente derramado sobre a besta. E por isso Bilam foi julgado naquele sêmen fervente, como dissemos. E por isso este palácio é chamado Shachat Tamê (שחת טמא, “destruição impura”).

E neste palácio há um outro espírito, que está subordinado ao espírito acima dele, e seu nome é Sartiyá (סרטי"א) Ch'V. E há milhares e dezenas de milhares sob sua autoridade. Todos eles se colocam sobre aquela palavra que sai com o espírito do homem em seu sonho, da parte do lado sagrado. Este espírito da impureza, e todos os incitadores de julgamento que estão com ele, todos saem e se apegam àquela palavra, e descem até ela e se conectam com ela, a fim de negar aquela palavra que veio do homem, e lhe anunciam em seu lugar outras coisas — palavras de mentira misturadas com palavras de verdade.

Pois assim é o caminho do mentiroso: se ele não incluir alguma verdade, não poderá sustentar sua mentira para que seja acreditado.
Assim também aqui: uma vez que se misturam com palavras de verdade que a pessoa viu em sonho, e as negam diante dele, anunciam-lhe depois palavras de verdade para dar sustentação às palavras falsas que lhe informam. Mais adiante, isso se espalha entre os espíritos inferiores (ruchot tachtonim) — que não possuem existência verdadeira, e não perduram. E essa informação é divulgada no mundo de muitas formas e tipos diversos.

Deste palácio saem dois espíritos que se transformam, ora em homens, ora em mulheres. Eles vagueiam pelo mundo, no ar, e zombam dos seres humanos em seus sonhos, aparecendo-lhes como mulheres belas em visão onírica, tomando para si a paixão do homem. E da mesma forma, para as mulheres, aparecem como homens.
E esses são chamados Ra’á (רָעָה, “mal”) e Néga (נֶגַע, “aflição”), como está dito: “Não te acontecerá o mal (Ra’á), e a aflição (Néga) não se aproximará da tua tenda” (Salmos 91:10).

E estes, Ra’á e Néga (רעה ונגע), são chamados espíritos inferiores (ruchot tata'ei), que saem de uma labareda de fogo. Pois, quando aqueles espíritos superiores percorrem o interior do heichal, saem duas labaredas de fogo, e delas se formam esses dois espíritos, Ra’á e Néga, como dissemos.
E tudo isso provém deste lado da impureza. Bem-aventurados são os justos que se afastaram desses lados e se protegeram deles. E sobre isso está escrito:
“Para te guardar da mulher estranha…” (Provérbios 7:5)

O terceiro palácio:
Este é um palácio escuro e sombrio, sem nenhuma luz. Ele é mais tenebroso do que os palácios anteriores. E este é chamado Dumá (דומה), em correspondência com o nome do Yétzer HaRá (impulso do mal) que é chamado Sone (שונא, “inimigo”). Neste palácio há quatro portais, um voltado para este lado, e outro para aquele, correspondendo aos quatro lados.

Um supervisor está de pé sobre o primeiro portal, e esse supervisor se encontra no poder da ira que paira sobre o mundo. Quando o julgamento domina o mundo, esse supervisor que reside nesse portal toma armas e as coloca nas entradas das sinagogas (beit knesset). E seu nome é Sakfortiyá (סקפורטי"א) Ch”V. E este é o tropeço do mundo.
Sobre ele está escrito:
“O caminho dos ímpios é como a escuridão; não sabem no que tropeçarão.” (Provérbios 4:19)
Nesse tempo, quando ele domina e o julgamento reina no mundo, ele observa quem caminha sozinho no mercado, e se o encontra, pode prejudicá-lo e enfraquecer sua sorte (mazal).

PerushBaal haSulam:
A Malchut é chamada de "sinagoga" (beit knesset), e é sabido que à entrada da Malchut espreita o pecado (chatat rovétz) — que é a medida do julgamento severo da Man'ulá (מנעולא, a “tranca”, fechadura), como foi mencionado anteriormente.
E este anjo aqui, chamado Sakfortiyá é o que deposita ali estas armas — isto é, o segredo da Man'ulá - julgamentos — por estar de frente para o Heichal haNetzach (palácio da eternidade) da santidade, e por isso sua força é grande. E foi dito: “Este supervisor que reside neste portal toma armas e as coloca nas entradas das sinagogas” — ou seja, na entrada da Malchut, como explicado. E por isso os ímpios, que se apegam à Sitra Achrá e atraem Chochmah de cima para baixo (desejo intenso de receber), é sobre eles que está dito:
“Se não melhorares, o pecado espreita à porta” (Gênesis 4:7), pois tropeçam nesse pecado — que é o segredo da Man'ulá (julgamentos) — que está à porta da Malchut, e perecem por causa disso no “lenho da vida”. E por isso está escrito: “E este é o tropeço do mundo…”

O segundo portal:
Ali está de pé outro supervisor. Este é aquele que recebe os veredictos do julgamento — ou seja, os escritos nos quais os decretos de julgamento estão registrados. E esse é Sangadyel (סנגדיא"ל), e sob sua autoridade estão muitos que despertam o julgamento e o direito (din u’mishpat), que dominam e estão prontos para receber esses veredictos.
E esse supervisor está postado sobre esse segundo portal.

E quando ele recebe o petek (פסקא, veredito) do julgamento, da parte do supervisor Malkiel (מלכיאל), que está no primeiro portal do terceiro heichal da santidade (conforme mencionado acima), ele permanece neste portal (do lado da Sitra Achrá) e desce para aqueles portais sombrios inferiores: um para aquele que é chamado Shachat (שחת, destruição) — ou seja, o segundo heichal da Sitra Achrá — e outro para aquele que é chamado Bor (בור, poço) — que é o primeiro heichal da Sitra Achrá — pois estes estão abaixo (conforme explicado acima).
E ali há milhares e dezenas de milhares de supervisores que dominam no mundo para executar o julgamento, e o decreto daquele petek din (veredicto judicial) é então cumprido.

O terceiro portal:
Neste portal há outro supervisor, cujo nome é Angaryon (אנגריו"ן), Ch”V.
Ele está encarregado de todas aquelas doenças, dores, febres e fogo nos ossos — isto é, sofrimentos que não conduzem à morte — que derivam dos julgamentos do lado esquerdo. Pois dele saem muitos milhares e dezenas de milhares de supervisores com ele, sobre todas essas enfermidades e dores, como aprendemos.

O quarto portal:
Aqui há um espírito que foi criado por causa da diminuição da lua, e seu nome é Askará (אסכר"א). Ele está encarregado da morte das crianças. Ele aparece para as crianças e ri com elas, até que as mata. E ele se manifesta para elas como uma mulher, semelhante à mãe da criança, amamentando-a, rindo com ela, segurando-a — e então a mata.

No centro deste heichal, há um espírito cujo nome é Agirison (אגיריסו"ן), Ch”V. Este foi nomeado sobre todos aqueles que morrem entre os treze e vinte anos. Essa é a morte deles, que vem da parte desse supervisor, como já estabelecemos. E isso ocorre por sua conexão com aquela serpente (nachash) que mencionamos, que está com ele e o acompanha. E sobre isso está dito: “E eis que era muito bom” (Gênesis 1:31), e explicamos que isso se refere ao anjo da morte.

Deste lugar se espalham e saem dois espíritos: Af (אף, “ira”) e Chemá (חמה, “furor”). Estes foram designados sobre todos aqueles que escutam uma repreensão vinda de alguém que se ocupa com a Torá — ou seja, quando alguém que estuda Torá os repreende por não seguirem o caminho correto — e, ainda assim, confiam em sua própria bondade e não se preocupam com isso. E também sobre todos aqueles que zombam e ridicularizam as palavras da Torá ou as palavras dos Rabbanan (sábios).

Desses dois — Af (אף, “ira”) e Chamá (חמה, “furor”) — saem muitos milhares e dezenas de milhares. Todos eles saem e repousam sobre pessoas que se ocupam com a Torá ou com palavras de mitsvá, e que andam no caminho da mitsvá, com o propósito de que fiquem tristes e não sintam alegria na Torá e na mitsvá que realizam. E foi por causa desses que Moshê temeu quando Israel pecou com o bezerro de ouro e ele desceu do monte, conforme está escrito: “Pois temi diante da ira (af) e do furor (chamá)...” (Devarim 9:19)

Abaixo desses — Af e Chamá — há um espírito que está sobre todos aqueles que praticam lashon hará (לשון הרע, “fala maldizente”). Pois quando as pessoas despertam a lashon hará, ou mesmo uma única pessoa desperta em lashon hará, então se desperta aquele espírito impuro de cima, chamado Siskisyá (סכסיכ"א). E ele repousa sobre esse despertar da lashon hará que os homens começaram, e ele ascende ao alto, e causa, por esse despertar da lashon hará, morte, espada e matança no mundo.
Ai daqueles que despertam esse lado do mal e não guardam sua boca e sua língua, e não se preocupam com isso, pois não sabem que o despertar de baixo causa o despertar de cima — tanto para o bem quanto para o mal.

Vem e vê:
Quando esse despertar de lashon hará se desperta aqui embaixo, então aquela serpente tortuosa (nachash ‘aqaltón) ergue suas escamas e as levanta para cima, de modo que fiquem eretas voltadas para o alto, e desperta desde sua cabeça até os pés. Pois, quando suas escamas se levantam e se agitam, todo seu corpo se desperta. Essas escamas são todos os executores da lei e do julgamento exteriores.


(continua...)


domingo, 24 de maio de 2026

PAULO E ABAYÊ - JÓ 41

Meu mestre me disse que depois da centelha do Rabino Akiva, a centelha mais próxima da minha é a do Abaiê, pois ele conseguiu pegar os três níveis de Néfesh, Rúach e Neshamá [NaRaN] da mesma raiz que a minha, ou seja, da raiz de Cáin, o que não ocorreu com os outros.

Sha'ar Ha'Gilgulim 38

אַךְ בִּי יָשֻׁב יַהֲפֹךְ יָדוֹ כׇּל הַיּוֹם

“Cada um se apega ao seu companheiro; ficam unidos e não se separam.”

 אִישׁ־בְּאָחִ֥יהוּ יְדֻבָּ֑קוּ יִ֝תְלַכְּד֗וּ וְלֹ֣א יִתְפָּרָֽדוּ׃

בֶּן יוֹסֵף יָבוֹא אֵלֶיךָ

domingo, 17 de maio de 2026

UFÓLOGOS:- RUACH SHEQER - ESPÍRITO DE ENGANO


UFÓLOGOS
ESPÍRITO DE ENGANO

"E disse ele: Eu sairei e serei um espírito da mentira na boca de todos os seus profetas. E ele disse: Tu o induzirás e ainda prevalecerás; sai e faze assim." 

— 1 Reis 22:22


 Ao completar 30 anos, o inexistente "Caso Varginha" começou a sofrer uma grande reviravolta. Vários youtubers e bem inteligentes, começaram a confrontar as inexistentes provas do não existente caso Varginha, colocando a maioria dos falsos ufólogos em xeque-mate.

Não existe qualquer evidência do chamado "Caso Varginha" e tudo não passa de um grande engano e uma grande mentira recheada com narrativas anedóticas persistentes nas bocas da maioria dos chamados "ufologistas" que vivem da renda deste grande engano. Coisas ridiculas como ditas por um certo "ufólogo" que os EUA abateram a nave dos ETs com raios laser do Projeto Guerra nas Estrelas do Presidente Ronald Regan, tecnologia essa que nunca viu a luz do dia e nem o brilho do luar.

Alguns anos atrás, descobri, através da Ufocriptologia, uma matriz cuja key-code é "Marco Eli Chereze  que me revelou que tudo não passou de uma grande mentira. Confira abaixo a matriz.


CLIQUE PARA AMPLIAR

Na tabela acima temos Marco Eli Chereze (מרקו אלי צרז) que surge cruzado por "Militar (ב"צבא)" que está conectado com "Alienígena (חיזר)" e acima, cruzando Marco está "Lápide." Agora, o mais intrigante e incrivel é a frase que surge codificada com o mesmo salto equidistante de Marco Eli Chereze. A sentença afirma: "Ha'emet ka'avit (האמת כאבית)" que se traduz "A verdade é dolorosa!" Dentro de "A verdade é dolorosa" surge o termo "Chalá (חלא)" palavra aramaica que significa "Adoecer." No canto esquerdo da matriz surge "Ha'sheqer (השקר) - A mentira!"

Os “Códigos da Bíblia” consistem em padrões ocultos encontrados no texto hebraico da Torá por meio de métodos matemáticos, especialmente usando Sequências Equidistantes de Letras (ELS – Equidistant Letter Sequences). O método utiliza o texto hebraico contínuo (sem espaços) e seleciona letras em intervalos fixos — por exemplo, a cada 7, 49 ou 70 letras — revelando palavras, nomes e expressões.

A EQUAÇÃO MATEMÁTICA

Ln=L0+(n×d)
Onde: L 0 ​ = posição inicial da primeira letra 
n = número do passo 
d = distância fixa (salto) entre letras 
L n ​ = posição da próxima letra selecionada 
Exemplo: 
se a primeira letra estiver na posição 100 e o salto for 7: 
100 → 107 → 114 → 121 → 128...

A ideia central é que o texto contém camadas adicionais de informação além da leitura simples, revelando conexões entre palavras, nomes, datas e temas. O assunto ficou amplamente conhecido após a publicação de The Bible Code, que apresentou diversos exemplos de padrões encontrados no texto bíblico hebraico.

Em resumo: os Códigos da Bíblia são apresentados como uma forma de leitura baseada em estruturas matemáticas ocultas dentro do texto sagrado hebraico.

UFÓLOGOS
O CÓDIGO

Na sexta-feira 24 de abril de 2026, resolvi investigar a key-code Ufólogo (אופולוגו) e fiquei estupefato com o resultado. O termo surgiu sendo cruzado por Melachim Alef (מלכים א) - Iº Reis capítulo 22 versículo 22 que diz ""E disse ele: Eu sairei e serei um espírito da mentira na boca de todos os seus profetas. E ele disse: Tu o induzirás e ainda prevalecerás; sai e faze assim."

וַיֹּ֗אמֶר אֵצֵא֙ וְהָיִ֙יתִי֙ ר֣וּחַ שֶׁ֔קֶר בְּפִ֖י כׇּל־נְבִיאָ֑יו וַיֹּ֗אמֶר תְּפַתֶּה֙ וְגַם־תּוּכָ֔ל צֵ֖א וַעֲשֵׂה־כֵֽן׃
מלכים א



CLIQUE PARA AMPLIAR


Nossos sábios judeus nos explicaram que este versículo se refere àqueles que não possuem mérito para receber a verdade e que atraem sobre uma espírito enganoso que pode ser um "mashichit (demônio)" ou uma alma a qual o Santo, abençoado seja Ele, determinou para ser mentira na boca de todos os falsos lideres devido aos pecados das pessoas.

O mais incrível ainda foi que, nesta matriz surgiram codificados nomes de ufologistas famosos. Dois deles são "Jacques Valée (ואלה)" e Nick Pope (פופ) este último falecido recentemente.

OVNIS-ANJOS

Logo abaixo do versículo principal que cruza UFOLOGOS cruza um versículo de Ezequiel capítulo Iº onde lemos "E cada um tinha quatro rostos, como também cada um deles quatro asas."

וְאַרְבָּעָ֥ה פָנִ֖ים לְאֶחָ֑ת וְאַרְבַּ֥ע כְּנָפַ֖יִם לְאַחַ֥ת לָהֶֽם׃

יְחֶזְקֵ֨אל א

No versículo 8 do mesmo capítulo descobri, recentemente, que o acrônimo hebraico para OVNI está criptografado dentro dele:

(וידו) [וִידֵ֣י] אָדָ֗ם מִתַּ֙חַת֙ כַּנְפֵיהֶ֔ם עַ֖ל אַרְבַּ֣עַת רִבְעֵיהֶ֑ם וּפְנֵיהֶ֥ם וְכַנְפֵיהֶ֖ם לְאַרְבַּעְתָּֽם׃

עב"ם
ETZEM BILTI MEZOHÁH
OVNI

Tenho um capítulo no meu livro "EU QUERO ACREDITAR" dedicado aos OVNIS-ANJOS onde revelo, de acordo com textos aramaicos antigos, que este OVNIS são, na verdade, ANJOS e OFANIM.

CONCLUSÃO

Fica claro, com a descoberta deste código, que, a grande maioria dos Ufólogos mentem sobre o fenômeno OVNI restando alguns poucos sinceros e verdadeiros investigadores do fenômeno UFO. Conheço alguns deles, como João Marcelo, Ubirajara Rodrigues e outros. Recentemente, alguns youtubers como o Gigito do canal VHS BREAK e o João do canal Operação Fogo no Céu destruíram as mentiras dos falsos ufólogos sobre o caso Varginha, deixando os mentirosos, sem pernas para continuar propagando, em troca de ganhos, seus enganos sobre este "não existente caso ufológico."

sábado, 2 de maio de 2026

MOSHÊ-HA'ARI E A CONSCIÊNCIA DE AQUÁRIUS

 

וַתֵּ֤רֶד בַּת־פַּרְעֹה֙ לִרְחֹ֣ץ עַל־הַיְאֹ֔ר וְנַעֲרֹתֶ֥יהָ הֹלְכֹ֖ת עַל־יַ֣ד הַיְאֹ֑ר וַתֵּ֤רֶא אֶת־הַתֵּבָה֙ בְּת֣וֹךְ הַסּ֔וּף וַתִּשְׁלַ֥ח אֶת־אֲמָתָ֖הּ וַתִּקָּחֶֽהָ׃

האר"י

דלי
A alma do Ari se ocultou deste mundo em 5 de Av de 5332 (25 de julho de 1572). Esta data está criptografada na Parashá (Porção) Devarim da Torah, como demonstro abaixo:

"Elêh hadevarim asher diber Moshê el-col-Israel, be'éver, ha'Iarden."

אֵלֶּה הַדְּבָרִים, אֲשֶׁר דִּבֶּר מֹשֶׁה אֶל־כָּל־יִשְׂרָאֵל, בְּעֵבֶר, הַיַּרְדֵּן

O MESSIAS JÁ VEIO

הִנֵּה֩ הַיּ֨וֹם הַזֶּ֜ה רָא֣וּ עֵינֶ֗יךָ אֵ֣ת אֲשֶׁר־נְתָנְךָ֩ יְהֹוָ֨ה ׀ הַיּ֤וֹם ׀ בְּיָדִי֙ בַּמְּעָרָ֔ה וְאָמַ֥ר לַהֲרָגְךָ֖ וַתָּ֣חׇס עָלֶ֑יךָ וָאֹמַ֗ר לֹֽא־אֶשְׁלַ֤ח יָדִי֙ בַּאדֹנִ֔י כִּֽי־מְשִׁ֥יחַ יְהֹוָ֖ה הֽוּא׃ וְאָבִ֣י רְאֵ֔ה גַּ֗ם רְאֵ֛ה אֶת־כְּנַ֥ף מְעִֽילְךָ֖ בְּיָדִ֑י כִּ֡י בְּכׇרְתִי֩ אֶת־כְּנַ֨ף מְעִֽילְךָ֜ וְלֹ֣א הֲרַגְתִּ֗יךָ דַּ֤ע וּרְאֵה֙ כִּי֩ אֵ֨ין בְּיָדִ֜י רָעָ֤ה וָפֶ֙שַׁע֙ וְלֹא־חָטָ֣אתִי לָ֔ךְ וְאַתָּ֛ה צֹדֶ֥ה אֶת־נַפְשִׁ֖י לְקַחְתָּֽהּ׃

האר"י בא

כי-משיח יהו"ה הוא

O ARI VEIO

POIS ELE É O MESSIAS DE 

ADONAI

וַיִּקְרָא יְהוָה אֱלֹהִים, אֶל־הָאָדָם; וַיֹּאמֶר לוֹ, אַיֶּכָּה

terça-feira, 28 de abril de 2026

DERE'K HA'ZOHAR: - O CAMINHO DO ZÔHAR



"A GLÓRIA DE D'US É CODIFICAR E A GLÓRIA DOS REIS É DECODIFICAR."

כְּבֹ֣ד אֱ֭לֹהִים הַסְתֵּ֣ר דָּבָ֑ר וּכְבֹ֥ד מְ֝לָכִ֗ים חֲקֹ֣ר דָּבָֽר׃

MISH'LEY 25:2


Somente as almas cuja a raiz se encontram no DA'AT ELYON, é que conseguem ver o SÓD da Toráh e produzir CHIDUSHIM MUTZAFANIM (חִדּוּשִׁים מֻצְפָּנִים) - INOVAÇÕES CRIPTOGRAFADAS também chamadas de CHIDUSHIM NISTARIM (חִדּוּשִׁים נִסְתָּרִים) - INOVAÇÕES DE MISTÉRIOS, pois a Torah Ne'elam se encontra em Tiféret de Atzilut

"Assim diz Adonai: Postai-vos (de pé) às margens dos caminhos, e olhai, e perguntai pelas veredas antigas, qual é o bom caminho, e andai por ele; e achareis descanso para as vossas almas; mas eles dizem: Não andaremos nele. 

- Jeremias 6:16

 כֹּ֣ה אָמַ֣ר יְהֹוָ֡ה עִמְדוּ֩ עַל־דְּרָכִ֨ים וּרְא֜וּ וְשַׁאֲל֣וּ ׀ לִנְתִב֣וֹת עוֹלָ֗ם אֵי־זֶ֨ה דֶ֤רֶךְ הַטּוֹב֙ וּלְכוּ־בָ֔הּ וּמִצְא֥וּ מַרְגּ֖וֹעַ לְנַפְשְׁכֶ֑ם וַיֹּאמְר֖וּ לֹ֥א נֵלֵֽךְ׃

Há duas palavras usadas neste passuq (versículo) que são por demais importantes. A primeira é "derachim (דְּרָכִ֨ים)" cujo significado é "caminhos" mas que também significa "tradições." Aqui Hashem nos comando a examinar todas as tradições (dentro do judaísmo) e buscar pelas "veredas antigas."

O termo usado do qual foi traduzido "veredas antigas" é "Netivot Olam (נְתִב֣וֹת עוֹלָ֗ם)" significando verdadeiramente "caminhos ocultos" que é uma indicação aos caminhos da Árvore das Vidas, mas claramente para a SABEDORIA DA QABALAH, para o ZOHAR SAGRADO.

O CÓDIGO ZÔHAR

Foi um dos meus alunos, o AVNER, que descobriu este código dentro deste passuq que já era o SLOGAM do nosso movimento qabalista deste idos 2006. Dentro do passuq a partir da letra ZAYIN (ז) de "EI-ZÊH (אֵי־זֶ֨ה) - qual é - está criptografado ZOHAR (זוהר) a cada 7 saltos equidistantes, revelando que este CAMINHO é o CAMINHO DO ZÔHAR, o SENDERO LUMINOSO. E há mais...

O termo "EI (אֵי)" é um advérbio interrogativo cuja gematria é ONZE e ONZE se escreve "ECHAD ASSAR (אֶחָד עָשָׂר) cuja gematria é igual a 583 que é a mesma gematria Mispar Milui de ZÔHAR (זהר) e que é a gematria Mispar Ne'elam de Yemot Ha'Mashiach (ימות המשיח) - ERA MESSIÂNICA e também a gematria AYAK-BAKAR de MASHIACH (משיח).

Portanto, o comando do HQBH aqui é se envolver no estudo do ZÔHAR que é a TRADIÇÃO DE MASHIACH trazendo para nós a ERA MESSIÂNICA.

OS CÓDIGOS SÃO A VERDADE

Dentro da Torah Bereshit, no capítulo Iº no passuq 7 existe, criptografado, uma evidência que torna tudo claro e certificado pelo HQBH. O versículo diz:

"E fez Deus a expansão, e fez separação entre as águas que estavam debaixo da expansão e as águas que estavam sobre a expansão; e assim foi."
וַיַּ֣עַשׂ אֱלֹהִים֮ אֶת־הָרָקִ֒יעַ֒ וַיַּבְדֵּ֗ל בֵּ֤ין הַמַּ֙יִם֙ אֲשֶׁר֙ מִתַּ֣חַת לָרָקִ֔יעַ וּבֵ֣ין הַמַּ֔יִם אֲשֶׁ֖ר מֵעַ֣ל לָרָקִ֑יעַ וַֽיְהִי־כֵֽן׃

Gênesis 1:7

Dentro desse passuq a partir da letra QUF (ק) da palavra "raqia (רקיע) - expsansão" a cada 3 saltos equidistantes encontramos "QODIM EMET (קודים-אמת)" que se traduz "OS CÓDIGOS SÃO A VERDADE."

Esta sequência me levou a descobrir uma mui importante chave onde meu nome está criptografado. Nesta key-code "TENÚ RAV MISHA'EL(תנו רב מישאל) - Conceda ao Rabino Misha'Ël" surge cruzada por "QODIM-El (קודים-אל) - Os Códigos De Deus."

Este maravilhoso código me conduziu à pergunta a quem a ordem estava sendo dada pelo Ha'Qadosh Baruch Hú? A resposta está no próprio texto criptografado: - Lúria.


Acima, na matrix do código, em vermelho está "TENÚ RAV MISHAEL" e em verde logo acima "QODIM-EL." Abaixo na vertical está "Reshimot Shidur Lúria (ר"ש לוריא) - Impressões da Luz transmitidas por Lúria. Acima, logo abaixo de "QODIM-EL" está "HA'AR'I" e ao lado dele "Vai'Qrá Malach Adonai (ויקרא מלאך יהו"ה) - E será chamado "Anjo de Adonai."



Autor

BËN MÄHREN QADËSH

RAV MISHA'ËL HA'LEVI

domingo, 26 de abril de 2026

Talmud Bavli: Ona'at Devarim e Kevod HaTorah (A Honra da Torá)


"E não oprimireis cada um ao seu próximo; e temerás o teu Deus, pois Eu sou Havayah, vosso Deus." (Vayikra 25:17)

Ona'at Devarim (אונאת דברים): A palavra Ona'ah geralmente se refere a fraude financeira, mas os sábios explicam que o versículo de Vayikra se refere a "fraude verbal" — o ato de insultar, constranger ou causar dor emocional a alguém com palavras.

O Talmud e o código de leis Shulchan Aruch listam comportamentos específicos que se enquadram nesta categoria, dentre eles: Desenterrar o Passado (Ferir a Identidade): É proibido lembrar alguém de falhas antigas ou de uma origem da qual a pessoa se envergonhe. Opressão por meio de Conselhos Mal-intencionados: Dar um conselho que parece útil, mas que na verdade visa o benefício do aconselhador ou o prejuízo do aconselhado. Humilhação Intelectual ou Profissional: Colocar alguém em "xeque" publicamente para demonstrar superioridade, fazer uma pergunta técnica difícil a alguém que você sabe que não conhece a resposta, apenas para expor a ignorância da pessoa perante outros. Atribuição de Culpa: Dizer a alguém que está sofrendo (como uma doença ou perda financeira) que isto é um castigo pelos seus pecados.

Para entender melhor essa questão, vamos nos aprofundar nos trechos do Bava Metzia 59a:

"E disse Mar Zutra bar Tuvia em nome de Rav — e alguns dizem que foi Rav Chana bar Bizna em nome de Rabi Shimon Chasida, e outros ainda dizem que foi Rabi Yochanan em nome de Rabi Shimon ben Yochai: 'É melhor para um homem lançar-se em uma fornalha ardente do que branquear a face de seu próximo em público.'"

("Branquear a face" הלבנת פנים): É a expressão idiomática hebraica para "envergonhar". Quando alguém sente uma vergonha súbita e intensa, o sangue foge do rosto, deixando a pessoa pálida. O Talmud compara isso a "derramar sangue" - assassinato espiritual)

"De onde aprendemos isso? De Tamar, nora de Judá. Quando foi levada para ser queimada. Ela possuía provas de que o sogro, Judá, era o pai de seu filho. Em vez de confrontá-lo publicamente e humilhá-lo, ela enviou os objetos de forma privada, dando a ele a chance de confessar por vontade própria sem ser exposto por ela. Ela estava disposta a morrer queimada para não envergonhá-lo. E ela disse: Examina estes, de quem são esses, o sinete, as cordas e o cajado?" (Gênesis 38:24–25).

Rav Hinnana, filho de Rav Idi, diz: Qual é o significado do que está escrito: "E não maltratareis cada um seu colega [amito]" (Levítico 25:17)? A palavra amito é interpretada como uma contração de im ito, que significa: Aquele que está com ele. Com aquele que está com vocês na observância da Torá e das mitzvot, não o maltratareis. (...)"

Ainda no Tratado Bava Metzia 59a vemos como Hashem reage de forma "pessoal" e imediata ao sofrimento de quem foi humilhado:

"Disse Rav Chisda: Todos os portões [do Céu] estão trancados (ou seja, as orações podem encontrar barreiras), exceto os Portões da Opressão (Sha'arei Ona'ah), conforme está escrito: 'Eis que o Senhor estava em pé sobre um muro feito a prumo (Anach), e em Sua mão um prumo' (Amós 7:7).

Disse Rabi Elazar: Tudo é punido através de um mensageiro (um anjo ou intermediário), exceto a opressão, conforme está escrito: 'e em Sua mão um prumo'."

O Talmud sugere que, em tempos de exílio ou por conta dos pecados, as orações comuns podem enfrentar dificuldades para "subir". No entanto, o clamor de alguém que foi injustiçado ou humilhado atravessa qualquer barreira instantaneamente. O "Portão da Opressão" nunca se fecha.

O texto bíblico usa Anach (אֲנָךְ) para significar um "prumo" (ferramenta de pedreiro para medir a verticalidade). Os sábios fazem uma exegese (interpretação) criativa: a palavra soa como Anachah (gemido/suspiro) daquele que foi humilhado, indicando que Hashem mesmo inflige retribuição.

Agora, no final do Bava Metzia 59a e iniciando o 59b, o Talmud introduz uma das histórias mais dramáticas e famosas de toda a literatura rabínica: a disputa sobre o Forno de Akhnai. Este é o prelúdio técnico (sobre leis de pureza ritual) que desencadeará o confronto entre Rabi Eliezer e a maioria (dos Sábios).

"Aprendemos lá [em uma Mishná]: Se alguém o cortou [um forno] em anéis, e colocou areia entre cada um dos anéis — Rabi Eliezer declara [o forno] puro, e os Sábios o declaram impuro."

Para entender a disputa, precisamos entender a "engenharia" desse forno: De acordo com a lei da Torá, um utensílio de barro que se torna impuro (tamei) não pode ser purificado em um Micvê (banho ritual). A única solução é quebrá-lo. Uma vez quebrado, ele deixa de ser um "utensílio" e a impureza desaparece. Se alguém pegou um forno de barro impuro e o cortou horizontalmente em anéis (fatias). Depois, remontou o forno colocando areia entre as fatias, talvez cobrindo tudo com uma camada de gesso por fora para mantê-lo unido. Rabi Eliezer argumenta que, como o forno foi cortado em pedaços e há areia separando-os, ele tecnicamente está "quebrado". Não é mais um utensílio íntegro, portanto a impureza se foi.

Os Sábios, no entanto, argumentam que, como o forno ainda funciona perfeitamente e mantém sua forma, ele é funcionalmente um utensílio. A areia é apenas um artifício. Portanto, ele continua impuro.

Este objeto ficou conhecido como o "Forno de Akhnai". O Talmud explica logo em seguida que o nome Akhnai (serpente em aramaico) foi dado porque os sábios "envolveram" Rabi Eliezer com argumentos lógicos como uma serpente, ou porque a discussão foi tão "venenosa" que causou grandes divisões.

Esta disputa não é apenas sobre cerâmica; ela é o ponto de partida para discutir a autoridade da maioria versus a revelação individual, e terminará com a famosa intervenção divina que os sábios recusarão, dizendo: "A Torá não está no céu". Continuemos o episódio...

Agora o Talmud explica o nome do forno e descreve o início do confronto intelectual que se tornaria um dos momentos mais surreais da tradição rabínica.

Bava Metzia 59b: 

"E este é o 'Forno de Akhnai'. O que significa 'Akhnai'? Disse Rav Yehuda em nome de Shmuel: [Significa] que eles cercaram [o assunto] com argumentos como esta serpente (Akhna), e o declararam impuro. Foi ensinado [em uma Baraita]: Naquele dia, Rabi Eliezer trouxe todas as respostas [argumentos] do mundo, mas eles [os Sábios] não as aceitaram dele."

A palavra aramaica Akhna significa serpente. Há uma boa interpetação para essa metáfora, que é a lógica Implacável de nossos Sábios, eles formaram um círculo lógico tão fechado e perfeito em torno de Rabi Eliezer que ele não tinha por onde "escapar" com seus argumentos. Ou seja, eles o cercaram como uma serpente.

Rabi Eliezer era conhecido por sua memória prodigiosa e por ser um "poço selado que não perde uma gota" de tradição. Ele não estava apenas elaborando argumentos; ele estava citando todas as tradições e lógicas possíveis que conhecia desde o Sinai. No entanto, há um ponto de virada aqui: o intelecto e a tradição individual versus o consenso (da maioria). A Guemará enfatiza que, por mais brilhante que ele fosse, a maioria dos Sábios simplesmente não se viu convencida.

Como os argumentos lógicos de Rabi Eliezer não foram aceitos, ele recorre a demonstrações sobrenaturais para provar que a vontade divina está do seu lado.

"Ele [Rabi Eliezer] disse-lhes: 'Se a Halachá [lei] é como eu digo, que esta alfarrobeira o prove!' A alfarrobeira foi arrancada do seu lugar e se moveu cem côvados — e alguns dizem que foram quatrocentos côvados. Eles [os Sábios] disseram-lhe: 'Não se traz prova de uma alfarrobeira'. Ele voltou a dizer-lhes: 'Se a Halachá é como eu digo, que o canal de água o prove!' O canal de água começou a fluir para trás [em direção oposta]. Eles disseram-lhe: 'Não se traz prova de um canal de água'."

Depois de tentar convencer os Sábios com a botânica (a alfarrobeira) e a hidrologia (o canal de água), Rabi Eliezer convoca a própria arquitetura do local sagrado onde estão debatendo: o Beit HaMidrash (Casa de Estudo).

"Ele voltou a dizer-lhes: 'Se a Halachá é como eu digo, que as paredes da Casa de Estudo o provem!' As paredes da Casa de Estudo inclinaram-se para cair. Rabi Yehoshua repreendeu as paredes, dizendo-lhes: 'Se estudiosos da Torá discutem entre si sobre a Halachá, o que tendes vós com isso [qual a vossa natureza/negócio nisso]?' As paredes não caíram, em honra a Rabi Yehoshua, mas também não se ergueram, em honra a Rabi Eliezer; e elas ainda permanecem inclinadas."

Rabi Eliezer, vendo que nem a lógica nem os milagres físicos convenceram seus colegas, apela para a autoridade máxima do universo.

"Ele voltou a dizer-lhes: 'Se a Halachá é como eu digo, que do Céu o provem!' Saiu uma Bat Kol [Voz Celestial] e disse: 'O que tendes vós contra Rabi Eliezer? Pois a Halachá [lei] é como ele em todos os lugares!'"

Neste ponto, qualquer tribunal humano se renderia. Se o Próprio Autor da lei diz que um juiz está certo, o caso deveria estar encerrado, certo? Mas é aqui que a história toma outro rumo. Os Sábios "desafiarão" a Bat Kol. A resposta de Rabi Yehoshua é uma das citações mais famosas da história: לֹ֥א בַשָּׁמַ֖יִם הִ֑וא "Lo Bashamayim Hi" (Ela [a Torá] não está no céu).

"Rabi Yehoshua levantou-se sobre seus pés e disse: 'Ela [a Torá] não está no céu!' (Deuteronômio 30:12). O que significa 'Ela não está no céu'? Disse Rabi Irmeya: Significa que, como a Torá já foi entregue no Monte Sinai, nós não damos atenção a uma Bat Kol; pois Tu já escreveste na Torá no Monte Sinai: 'Deve-se inclinar [a decisão] segundo a maioria' (Êxodo 23:2). [Anos depois], Rabi Natan encontrou o profeta Elias e perguntou-lhe: 'O que o Santo, Bendito Seja Ele, fez naquela hora [quando Rabi Yehoshua disse isso]?' Elias respondeu: 'Ele sorriu e disse: Meus filhos me venceram! Meus filhos me venceram!'"

Rabi Yehoshua usa a própria Torá de Hashem para encontrar argumentos contra a lógica da Bat Kol. A lógica é profunda, pois no momento em que Hashem entregou a Torá aos judeus no Sinai, Ele transferiu a autoridade de interpretá-la para a mente humana. A Torá deixou de ser um objeto místico no céu e tornou-se a "Constituição" de Israel.

Se decisões pudessem ser mudadas constantemente, a lei seria instável e subjetiva. Ao insistir em "Seguir a maioria", os Sábios garantem que a lei seja baseada na razão, no debate e no consenso.

"Disseram: Naquele mesmo dia, trouxeram todos os objetos puros que Rabi Eliezer havia declarado puros e os queimaram no fogo [tratando-os como impuros, para marcar a autoridade da nova decisão]. E votaram sobre ele e 'abençoaram-no' [este é um eufemismo talmúdico para excomungá-lo, colocar em Cherem]. E disseram: 'Quem irá e o informará?'

Disse-lhes Rabi Akiva: 'Eu irei, para que não vá uma pessoa indigna e o informe, e acabe por destruir o mundo inteiro'."

Rabi Akiva era o discípulo mais próximo e brilhante de Rabi Eliezer. Ele se voluntariou por um motivo estratégico e empático, Akiva sabia que a notícia da excomunhão era um golpe mortal para a dignidade de seu mestre. Se alguém rude ou insensível desse a notícia, a dor de Rabi Eliezer seria tão profunda que sua reação (ou seu clamor a Hashem) poderia ter consequências catastróficas.

Como vimos no início da nossa conversa, a opressão (Ona'ah) de um justo abre os portões do céu instantaneamente. Rabi Akiva temia que, se o mestre fosse humilhado de forma "indigna", a ira divina ou o poder espiritual de Rabi Eliezer desestabilizariam a própria existência.

O Talmud usa o termo "abençoar" (Berchuho) para não proferir a palavra "amaldiçoar" ou "excomungar" em relação a um sábio tão grande. Isso mostra que, mesmo ao puni-lo para preservar o sistema jurídico, os Sábios sentiam o peso e a reverência devida a ele.

Rav Akiva entendeu que a forma como a verdade é dita é tão importante quanto a verdade em si. Esta é uma das cenas mais melancólicas do Talmud. Rabi Akiva demonstra aqui como cumprir uma tarefa dolorosa minimizando a Ona'at Devarim (opressão verbal) através do uso de símbolos em vez de palavras cortantes.

"O que fez Rabi Akiva? Vestiu-se de preto e envolveu-se em mantos pretos, e sentou-se diante dele [de Rabi Eliezer] a uma distância de quatro côvados. Disse-lhe Rabi Eliezer: 'Akiva, o que há de diferente hoje?' Disse-lhe [Akiva]: 'Rabi, parece-me que os teus colegas estão se afastando de ti.' Ele [Rabi Eliezer] também rasgou suas vestes, descalçou seus sapatos, deslizou e sentou-se sobre o chão."

Rabi Akiva usa uma linguagem corporal e verbal extremamente cuidadosa para não envergonhar seu mestre diretamente: O Luto (Vestes Pretas): No judaísmo, o luto e a excomunhão compartilham sinais externos. Ao vestir preto, Akiva sinaliza que algo trágico aconteceu, preparando o estado emocional de Rabi Eliezer sem precisar dizer "você foi expulso". De acordo com as leis do Cherem (excomunhão), as pessoas devem manter essa distância do excomungado. Em vez de dizer "nós te excomungamos", ele usa a expressão: "Parece-me que os teus colegas estão se afastando de ti". Ele fala como se fosse um observador externo, suavizando o golpe e tratando a decisão com uma tristeza compartilhada, não como um ataque pessoal.

A reação de Rabi Eliezer é a de quem entra em luto profundo por si mesmo: Rasgar as vestes e descalçar os sapatos: São os sinais clássicos de luto (Shivá). Sentar-se no chão: Ele aceita o veredito da maioria imediatamente, apesar de saber que, no Céu, ele estava certo. Aqui chegamos à manifestação física e catastrófica daquilo que discutimos no início: a força da lágrima de quem é oprimido. O Talmud descreve que a dor de Rabi Eliezer foi tão profunda que a ordem natural do mundo foi abalada.

"Seus olhos [de Rabi Eliezer] derramaram lágrimas, [e como consequência] o mundo foi atingido: um terço das azeitonas, um terço do trigo e um terço da cevada [foram destruídos/estragados]. E há quem diga: até a massa nas mãos de uma mulher inchou [e estragou]. Foi ensinado: Houve uma grande ira (ou desastre) naquele dia, pois em todo lugar para onde Rabi Eliezer voltava seu olhar — era queimado."

Estas são as lágrimas de um homem justo (Tzadik). Rabi Eliezer possuía uma "energia espiritual" tão intensa que sua tristeza se transformou em um poder destrutivo.

O Bava Metzia continua. Raban Gamliel era o Nasi (Príncipe/Líder do Sinédrio) e foi quem tomou a decisão institucional de excomungar Rabi Eliezer para manter a unidade do povo.

"E até o próprio Raban Gamliel estava vindo em um navio [naquele momento]. Levantou-se sobre ele uma onda gigante para afundá-lo. Ele disse: 'Parece-me que isto não é por outra razão senão por causa de Rabi Eliezer ben Hurcanus'. Levantou-se sobre seus pés e disse: 'Soberano do Universo, é revelado e conhecido diante de Ti que não para minha honra eu fiz [isso], nem para a honra da casa de meu pai eu fiz, mas sim para a Tua honra, para que não se multipliquem as controvérsias em Israel'. O mar descansou de sua fúria."

Raban Gamliel não é apresentado aqui como o vilão da história, mas como um líder enfrentando um paradoxo trágico: O mar, que representa o caos e a força da natureza, reage à dor de Rabi Eliezer. É a manifestação física do conceito de que "os portões da opressão (Ona'ah) não se fecham". A dor do oprimido "persegue" o opressor, mesmo que este tenha agido por vias legais.

Raban Gamliel não pede desculpas pelo veredito, mas esclarece sua intenção. Ele argumenta que, se cada sábio pudesse desafiar a maioria com milagres, o sistema jurídico desmoronaria e o povo se dividiria em seitas. Sua intenção era o bem comum (Lishmá). O fato de o mar se acalmar indica que Hashem aceitou a justificativa de Raban Gamliel. No entanto, o fato de a tempestade ter começado prova que, mesmo com boas intenções, a dor causada a um indivíduo tem um custo espiritual altíssimo, principalmente se ele possui uma alma tão sagrada.

"Ima Shalom era a esposa de Rabi Eliezer e irmã de Raban Gamliel. Daquele incidente em diante [a excomunhão], ela não permitia que Rabi Eliezer 'caísse sobre seu rosto' [fizesse a oração do Tachanun, na qual se recitam súplicas intensas que poderiam incluir clamores contra quem o magoou].

[O Taḥanun (תחנון), também chamado Nefilat Apayim (“prostração do rosto”), é a oração de súplica recitada após a Amidá nas preces de Shacharit e Minchá em dias comuns.]

Naquele dia, era o início do mês (Rosh Chodesh), e ela se confundiu entre um mês 'cheio' [de 30 dias] e um mês 'faltante' [de 29 dias] — ou, como alguns dizem: um pobre veio e parou à porta, e ela saiu para lhe dar um pedaço de pão."

Ima Shalom está em uma posição impossível: ela é a ponte entre os dois protagonistas, ela é a esposa do homem humilhado (Rabi Eliezer) e irmã do líder que ordenou a humilhação (Raban Gamliel). Ela conhece a lei da Torá: "Todos os portões estão trancados, exceto os portões da opressão". Ela sabe que, se o marido rezar com o coração partido, a oração será atendida e seu irmão morrerá.

"Cair sobre o rosto" (Tachanun): É o momento da liturgia judaica de maior vulnerabilidade e súplica pessoal. Ima Shalom vigiava o marido 24 horas por dia para impedir que ele fizesse essa oração específica, servindo como um "escudo espiritual" para o seu irmão. O Talmud oferece duas explicações para o momento em que a guarda dela falhou: Ela achou que naquele dia, por ser feriado (Rosh Chodesh), o Tachanun não seria recitado (é a regra litúrgica), mas ela errou o cálculo dos dias. Ou então, ela se distraiu com um ato de bondade (dar pão a um pobre).

"Ela [Ima Shalom] o encontrou caído sobre o seu rosto [em oração]. Ela lhe disse: 'Levante-se! Tu mataste o meu irmão!' Enquanto isso, saiu o toque do Shofar da casa de Raban Gamliel, [anunciando] que ele havia falecido. Ele [Rabi Eliezer] perguntou-lhe: 'Como tu sabias [que ele morreria]?'

Ela lhe respondeu: 'Assim recebi como tradição da casa do pai de meu pai: Todos os portões estão trancados, exceto os portões da opressão (Ona'ah)'."

 Rabi Eliezer não precisou rezar especificamente pela morte do cunhado. Apenas o ato de "cair sobre o rosto" e derramar sua angústia perante Hashem foi o suficiente. Como ele foi vítima de Ona'at Devarim (foi humilhado e isolado), o "canal" de sua oração estava escancarado. Ima Shalom cita exatamente a frase de Rav Chisda que vimos no começo.

Toda essa longa história do Forno de Akhnai foi inserida no Talmud para ilustrar um único ponto prático: o perigo de ferir os sentimentos de outra pessoa, e pior ainda se essa pessoa é um tazdik cumpridor da Torá, conforme vimos no início deste artigo, veja lá "Qual é o significado do que está escrito: "E não maltratareis cada um seu colega [amito]" (Levítico 25:17)? A palavra amito é interpretada como uma contração de im ito, que significa: Aquele que está com ele. Com aquele que está com vocês na observância da Torá e das mitzvot, não o maltratareis."

A preservação da dignidade alheia é colocada no mesmo nível da preservação da própria vida. No pensamento judaico, destruir a reputação de alguém publicamente é visto como uma forma de assassinato espiritual.

Razá Ilaáh!

O Artesão Da Luz