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domingo, 17 de maio de 2026

UFÓLOGOS:- RUACH SHEQER - ESPÍRITO DE ENGANO


UFÓLOGOS
ESPÍRITO DE ENGANO

"E disse ele: Eu sairei e serei um espírito da mentira na boca de todos os seus profetas. E ele disse: Tu o induzirás e ainda prevalecerás; sai e faze assim." 

— 1 Reis 22:22


 Ao completar 30 anos, o inexistente "Caso Varginha" começou a sofrer uma grande reviravolta. Vários youtubers e bem inteligentes, começaram a confrontar as inexistentes provas do não existente caso Varginha, colocando a maioria dos falsos ufólogos em xeque-mate.

Não existe qualquer evidência do chamado "Caso Varginha" e tudo não passa de um grande engano e uma grande mentira recheada com narrativas anedóticas persistentes nas bocas da maioria dos chamados "ufologistas" que vivem da renda deste grande engano. Coisas ridiculas como ditas por um certo "ufólogo" que os EUA abateram a nave dos ETs com raios laser do Projeto Guerra nas Estrelas do Presidente Ronald Regan, tecnologia essa que nunca viu a luz do dia e nem o brilho do luar.

Alguns anos atrás, descobri, através da Ufocriptologia, uma matriz cuja key-code é "Marco Eli Chereze  que me revelou que tudo não passou de uma grande mentira. Confira abaixo a matriz.


CLIQUE PARA AMPLIAR

Na tabela acima temos Marco Eli Chereze (מרקו אלי צרז) que surge cruzado por "Militar (ב"צבא)" que está conectado com "Alienígena (חיזר)" e acima, cruzando Marco está "Lápide." Agora, o mais intrigante e incrivel é a frase que surge codificada com o mesmo salto equidistante de Marco Eli Chereze. A sentença afirma: "Ha'emet ka'avit (האמת כאבית)" que se traduz "A verdade é dolorosa!" Dentro de "A verdade é dolorosa" surge o termo "Chalá (חלא)" palavra aramaica que significa "Adoecer." No canto esquerdo da matriz surge "Ha'sheqer (השקר) - A mentira!"

Os “Códigos da Bíblia” consistem em padrões ocultos encontrados no texto hebraico da Torá por meio de métodos matemáticos, especialmente usando Sequências Equidistantes de Letras (ELS – Equidistant Letter Sequences). O método utiliza o texto hebraico contínuo (sem espaços) e seleciona letras em intervalos fixos — por exemplo, a cada 7, 49 ou 70 letras — revelando palavras, nomes e expressões.

A EQUAÇÃO MATEMÁTICA

Ln=L0+(n×d)
Onde: L 0 ​ = posição inicial da primeira letra 
n = número do passo 
d = distância fixa (salto) entre letras 
L n ​ = posição da próxima letra selecionada 
Exemplo: 
se a primeira letra estiver na posição 100 e o salto for 7: 
100 → 107 → 114 → 121 → 128...

A ideia central é que o texto contém camadas adicionais de informação além da leitura simples, revelando conexões entre palavras, nomes, datas e temas. O assunto ficou amplamente conhecido após a publicação de The Bible Code, que apresentou diversos exemplos de padrões encontrados no texto bíblico hebraico.

Em resumo: os Códigos da Bíblia são apresentados como uma forma de leitura baseada em estruturas matemáticas ocultas dentro do texto sagrado hebraico.

UFÓLOGOS
O CÓDIGO

Na sexta-feira 24 de abril de 2026, resolvi investigar a key-code Ufólogo (אופולוגו) e fiquei estupefato com o resultado. O termo surgiu sendo cruzado por Melachim Alef (מלכים א) - Iº Reis capítulo 22 versículo 22 que diz ""E disse ele: Eu sairei e serei um espírito da mentira na boca de todos os seus profetas. E ele disse: Tu o induzirás e ainda prevalecerás; sai e faze assim."

וַיֹּ֗אמֶר אֵצֵא֙ וְהָיִ֙יתִי֙ ר֣וּחַ שֶׁ֔קֶר בְּפִ֖י כׇּל־נְבִיאָ֑יו וַיֹּ֗אמֶר תְּפַתֶּה֙ וְגַם־תּוּכָ֔ל צֵ֖א וַעֲשֵׂה־כֵֽן׃
מלכים א



CLIQUE PARA AMPLIAR


Nossos sábios judeus nos explicaram que este versículo se refere àqueles que não possuem mérito para receber a verdade e que atraem sobre uma espírito enganoso que pode ser um "mashichit (demônio)" ou uma alma a qual o Santo, abençoado seja Ele, determinou para ser mentira na boca de todos os falsos lideres devido aos pecados das pessoas.

O mais incrível ainda foi que, nesta matriz surgiram codificados nomes de ufologistas famosos. Dois deles são "Jacques Valée (ואלה)" e Nick Pope (פופ) este último falecido recentemente.

OVNIS-ANJOS

Logo abaixo do versículo principal que cruza UFOLOGOS cruza um versículo de Ezequiel capítulo Iº onde lemos "E cada um tinha quatro rostos, como também cada um deles quatro asas."

וְאַרְבָּעָ֥ה פָנִ֖ים לְאֶחָ֑ת וְאַרְבַּ֥ע כְּנָפַ֖יִם לְאַחַ֥ת לָהֶֽם׃

יְחֶזְקֵ֨אל א

No versículo 8 do mesmo capítulo descobri, recentemente, que o acrônimo hebraico para OVNI está criptografado dentro dele:

(וידו) [וִידֵ֣י] אָדָ֗ם מִתַּ֙חַת֙ כַּנְפֵיהֶ֔ם עַ֖ל אַרְבַּ֣עַת רִבְעֵיהֶ֑ם וּפְנֵיהֶ֥ם וְכַנְפֵיהֶ֖ם לְאַרְבַּעְתָּֽם׃

עב"ם
ETZEM BILTI MEZOHÁH
OVNI

Tenho um capítulo no meu livro "EU QUERO ACREDITAR" dedicado aos OVNIS-ANJOS onde revelo, de acordo com textos aramaicos antigos, que este OVNIS são, na verdade, ANJOS e OFANIM.

CONCLUSÃO

Fica claro, com a descoberta deste código, que, a grande maioria dos Ufólogos mentem sobre o fenômeno OVNI restando alguns poucos sinceros e verdadeiros investigadores do fenômeno UFO. Conheço alguns deles, como João Marcelo, Ubirajara Rodrigues e outros. Recentemente, alguns youtubers como o Gigito do canal VHS BREAK e o João do canal Operação Fogo no Céu destruíram as mentiras dos falsos ufólogos sobre o caso Varginha, deixando os mentirosos, sem pernas para continuar propagando, em troca de ganhos, seus enganos sobre este "não existente caso ufológico."

sábado, 2 de maio de 2026

MOSHÊ-HA'ARI E A CONSCIÊNCIA DE AQUÁRIUS

 

וַתֵּ֤רֶד בַּת־פַּרְעֹה֙ לִרְחֹ֣ץ עַל־הַיְאֹ֔ר וְנַעֲרֹתֶ֥יהָ הֹלְכֹ֖ת עַל־יַ֣ד הַיְאֹ֑ר וַתֵּ֤רֶא אֶת־הַתֵּבָה֙ בְּת֣וֹךְ הַסּ֔וּף וַתִּשְׁלַ֥ח אֶת־אֲמָתָ֖הּ וַתִּקָּחֶֽהָ׃

האר"י

דלי
A alma do Ari se ocultou deste mundo em 5 de Av de 5332 (25 de julho de 1572). Esta data está criptografada na Parashá (Porção) Devarim da Torah, como demonstro abaixo:

"Elêh hadevarim asher diber Moshê el-col-Israel, be'éver, ha'Iarden."

אֵלֶּה הַדְּבָרִים, אֲשֶׁר דִּבֶּר מֹשֶׁה אֶל־כָּל־יִשְׂרָאֵל, בְּעֵבֶר, הַיַּרְדֵּן

O MESSIAS JÁ VEIO

הִנֵּה֩ הַיּ֨וֹם הַזֶּ֜ה רָא֣וּ עֵינֶ֗יךָ אֵ֣ת אֲשֶׁר־נְתָנְךָ֩ יְהֹוָ֨ה ׀ הַיּ֤וֹם ׀ בְּיָדִי֙ בַּמְּעָרָ֔ה וְאָמַ֥ר לַהֲרָגְךָ֖ וַתָּ֣חׇס עָלֶ֑יךָ וָאֹמַ֗ר לֹֽא־אֶשְׁלַ֤ח יָדִי֙ בַּאדֹנִ֔י כִּֽי־מְשִׁ֥יחַ יְהֹוָ֖ה הֽוּא׃ וְאָבִ֣י רְאֵ֔ה גַּ֗ם רְאֵ֛ה אֶת־כְּנַ֥ף מְעִֽילְךָ֖ בְּיָדִ֑י כִּ֡י בְּכׇרְתִי֩ אֶת־כְּנַ֨ף מְעִֽילְךָ֜ וְלֹ֣א הֲרַגְתִּ֗יךָ דַּ֤ע וּרְאֵה֙ כִּי֩ אֵ֨ין בְּיָדִ֜י רָעָ֤ה וָפֶ֙שַׁע֙ וְלֹא־חָטָ֣אתִי לָ֔ךְ וְאַתָּ֛ה צֹדֶ֥ה אֶת־נַפְשִׁ֖י לְקַחְתָּֽהּ׃

האר"י בא

כי-משיח יהו"ה הוא

O ARI VEIO

POIS ELE É O MESSIAS DE 

ADONAI

וַיִּקְרָא יְהוָה אֱלֹהִים, אֶל־הָאָדָם; וַיֹּאמֶר לוֹ, אַיֶּכָּה

terça-feira, 28 de abril de 2026

DERE'K HA'ZOHAR: - O CAMINHO DO ZÔHAR



"A GLÓRIA DE D'US É CODIFICAR E A GLÓRIA DOS REIS É DECODIFICAR."

כְּבֹ֣ד אֱ֭לֹהִים הַסְתֵּ֣ר דָּבָ֑ר וּכְבֹ֥ד מְ֝לָכִ֗ים חֲקֹ֣ר דָּבָֽר׃

MISH'LEY 25:2


Somente as almas cuja a raiz se encontram no DA'AT ELYON, é que conseguem ver o SÓD da Toráh e produzir CHIDUSHIM MUTZAFANIM (חִדּוּשִׁים מֻצְפָּנִים) - INOVAÇÕES CRIPTOGRAFADAS também chamadas de CHIDUSHIM NISTARIM (חִדּוּשִׁים נִסְתָּרִים) - INOVAÇÕES DE MISTÉRIOS, pois a Torah Ne'elam se encontra em Tiféret de Atzilut

"Assim diz Adonai: Postai-vos (de pé) às margens dos caminhos, e olhai, e perguntai pelas veredas antigas, qual é o bom caminho, e andai por ele; e achareis descanso para as vossas almas; mas eles dizem: Não andaremos nele. 

- Jeremias 6:16

 כֹּ֣ה אָמַ֣ר יְהֹוָ֡ה עִמְדוּ֩ עַל־דְּרָכִ֨ים וּרְא֜וּ וְשַׁאֲל֣וּ ׀ לִנְתִב֣וֹת עוֹלָ֗ם אֵי־זֶ֨ה דֶ֤רֶךְ הַטּוֹב֙ וּלְכוּ־בָ֔הּ וּמִצְא֥וּ מַרְגּ֖וֹעַ לְנַפְשְׁכֶ֑ם וַיֹּאמְר֖וּ לֹ֥א נֵלֵֽךְ׃

Há duas palavras usadas neste passuq (versículo) que são por demais importantes. A primeira é "derachim (דְּרָכִ֨ים)" cujo significado é "caminhos" mas que também significa "tradições." Aqui Hashem nos comando a examinar todas as tradições (dentro do judaísmo) e buscar pelas "veredas antigas."

O termo usado do qual foi traduzido "veredas antigas" é "Netivot Olam (נְתִב֣וֹת עוֹלָ֗ם)" significando verdadeiramente "caminhos ocultos" que é uma indicação aos caminhos da Árvore das Vidas, mas claramente para a SABEDORIA DA QABALAH, para o ZOHAR SAGRADO.

O CÓDIGO ZÔHAR

Foi um dos meus alunos, o AVNER, que descobriu este código dentro deste passuq que já era o SLOGAM do nosso movimento qabalista deste idos 2006. Dentro do passuq a partir da letra ZAYIN (ז) de "EI-ZÊH (אֵי־זֶ֨ה) - qual é - está criptografado ZOHAR (זוהר) a cada 7 saltos equidistantes, revelando que este CAMINHO é o CAMINHO DO ZÔHAR, o SENDERO LUMINOSO. E há mais...

O termo "EI (אֵי)" é um advérbio interrogativo cuja gematria é ONZE e ONZE se escreve "ECHAD ASSAR (אֶחָד עָשָׂר) cuja gematria é igual a 583 que é a mesma gematria Mispar Milui de ZÔHAR (זהר) e que é a gematria Mispar Ne'elam de Yemot Ha'Mashiach (ימות המשיח) - ERA MESSIÂNICA e também a gematria AYAK-BAKAR de MASHIACH (משיח).

Portanto, o comando do HQBH aqui é se envolver no estudo do ZÔHAR que é a TRADIÇÃO DE MASHIACH trazendo para nós a ERA MESSIÂNICA.

OS CÓDIGOS SÃO A VERDADE

Dentro da Torah Bereshit, no capítulo Iº no passuq 7 existe, criptografado, uma evidência que torna tudo claro e certificado pelo HQBH. O versículo diz:

"E fez Deus a expansão, e fez separação entre as águas que estavam debaixo da expansão e as águas que estavam sobre a expansão; e assim foi."
וַיַּ֣עַשׂ אֱלֹהִים֮ אֶת־הָרָקִ֒יעַ֒ וַיַּבְדֵּ֗ל בֵּ֤ין הַמַּ֙יִם֙ אֲשֶׁר֙ מִתַּ֣חַת לָרָקִ֔יעַ וּבֵ֣ין הַמַּ֔יִם אֲשֶׁ֖ר מֵעַ֣ל לָרָקִ֑יעַ וַֽיְהִי־כֵֽן׃

Gênesis 1:7

Dentro desse passuq a partir da letra QUF (ק) da palavra "raqia (רקיע) - expsansão" a cada 3 saltos equidistantes encontramos "QODIM EMET (קודים-אמת)" que se traduz "OS CÓDIGOS SÃO A VERDADE."

Esta sequência me levou a descobrir uma mui importante chave onde meu nome está criptografado. Nesta key-code "TENÚ RAV MISHA'EL(תנו רב מישאל) - Conceda ao Rabino Misha'Ël" surge cruzada por "QODIM-El (קודים-אל) - Os Códigos De Deus."

Este maravilhoso código me conduziu à pergunta a quem a ordem estava sendo dada pelo Ha'Qadosh Baruch Hú? A resposta está no próprio texto criptografado: - Lúria.


Acima, na matrix do código, em vermelho está "TENÚ RAV MISHAEL" e em verde logo acima "QODIM-EL." Abaixo na vertical está "Reshimot Shidur Lúria (ר"ש לוריא) - Impressões da Luz transmitidas por Lúria. Acima, logo abaixo de "QODIM-EL" está "HA'AR'I" e ao lado dele "Vai'Qrá Malach Adonai (ויקרא מלאך יהו"ה) - E será chamado "Anjo de Adonai."



Autor

BËN MÄHREN QADËSH

RAV MISHA'ËL HA'LEVI

domingo, 26 de abril de 2026

Talmud Bavli: Ona'at Devarim e Kevod HaTorah (A Honra da Torá)


"E não oprimireis cada um ao seu próximo; e temerás o teu Deus, pois Eu sou Havayah, vosso Deus." (Vayikra 25:17)

Ona'at Devarim (אונאת דברים): A palavra Ona'ah geralmente se refere a fraude financeira, mas os sábios explicam que o versículo de Vayikra se refere a "fraude verbal" — o ato de insultar, constranger ou causar dor emocional a alguém com palavras.

O Talmud e o código de leis Shulchan Aruch listam comportamentos específicos que se enquadram nesta categoria, dentre eles: Desenterrar o Passado (Ferir a Identidade): É proibido lembrar alguém de falhas antigas ou de uma origem da qual a pessoa se envergonhe. Opressão por meio de Conselhos Mal-intencionados: Dar um conselho que parece útil, mas que na verdade visa o benefício do aconselhador ou o prejuízo do aconselhado. Humilhação Intelectual ou Profissional: Colocar alguém em "xeque" publicamente para demonstrar superioridade, fazer uma pergunta técnica difícil a alguém que você sabe que não conhece a resposta, apenas para expor a ignorância da pessoa perante outros. Atribuição de Culpa: Dizer a alguém que está sofrendo (como uma doença ou perda financeira) que isto é um castigo pelos seus pecados.

Para entender melhor essa questão, vamos nos aprofundar nos trechos do Bava Metzia 59a:

"E disse Mar Zutra bar Tuvia em nome de Rav — e alguns dizem que foi Rav Chana bar Bizna em nome de Rabi Shimon Chasida, e outros ainda dizem que foi Rabi Yochanan em nome de Rabi Shimon ben Yochai: 'É melhor para um homem lançar-se em uma fornalha ardente do que branquear a face de seu próximo em público.'"

("Branquear a face" הלבנת פנים): É a expressão idiomática hebraica para "envergonhar". Quando alguém sente uma vergonha súbita e intensa, o sangue foge do rosto, deixando a pessoa pálida. O Talmud compara isso a "derramar sangue" - assassinato espiritual)

"De onde aprendemos isso? De Tamar, nora de Judá. Quando foi levada para ser queimada. Ela possuía provas de que o sogro, Judá, era o pai de seu filho. Em vez de confrontá-lo publicamente e humilhá-lo, ela enviou os objetos de forma privada, dando a ele a chance de confessar por vontade própria sem ser exposto por ela. Ela estava disposta a morrer queimada para não envergonhá-lo. E ela disse: Examina estes, de quem são esses, o sinete, as cordas e o cajado?" (Gênesis 38:24–25).

Rav Hinnana, filho de Rav Idi, diz: Qual é o significado do que está escrito: "E não maltratareis cada um seu colega [amito]" (Levítico 25:17)? A palavra amito é interpretada como uma contração de im ito, que significa: Aquele que está com ele. Com aquele que está com vocês na observância da Torá e das mitzvot, não o maltratareis. (...)"

Ainda no Tratado Bava Metzia 59a vemos como Hashem reage de forma "pessoal" e imediata ao sofrimento de quem foi humilhado:

"Disse Rav Chisda: Todos os portões [do Céu] estão trancados (ou seja, as orações podem encontrar barreiras), exceto os Portões da Opressão (Sha'arei Ona'ah), conforme está escrito: 'Eis que o Senhor estava em pé sobre um muro feito a prumo (Anach), e em Sua mão um prumo' (Amós 7:7).

Disse Rabi Elazar: Tudo é punido através de um mensageiro (um anjo ou intermediário), exceto a opressão, conforme está escrito: 'e em Sua mão um prumo'."

O Talmud sugere que, em tempos de exílio ou por conta dos pecados, as orações comuns podem enfrentar dificuldades para "subir". No entanto, o clamor de alguém que foi injustiçado ou humilhado atravessa qualquer barreira instantaneamente. O "Portão da Opressão" nunca se fecha.

O texto bíblico usa Anach (אֲנָךְ) para significar um "prumo" (ferramenta de pedreiro para medir a verticalidade). Os sábios fazem uma exegese (interpretação) criativa: a palavra soa como Anachah (gemido/suspiro) daquele que foi humilhado, indicando que Hashem mesmo inflige retribuição.

Agora, no final do Bava Metzia 59a e iniciando o 59b, o Talmud introduz uma das histórias mais dramáticas e famosas de toda a literatura rabínica: a disputa sobre o Forno de Akhnai. Este é o prelúdio técnico (sobre leis de pureza ritual) que desencadeará o confronto entre Rabi Eliezer e a maioria (dos Sábios).

"Aprendemos lá [em uma Mishná]: Se alguém o cortou [um forno] em anéis, e colocou areia entre cada um dos anéis — Rabi Eliezer declara [o forno] puro, e os Sábios o declaram impuro."

Para entender a disputa, precisamos entender a "engenharia" desse forno: De acordo com a lei da Torá, um utensílio de barro que se torna impuro (tamei) não pode ser purificado em um Micvê (banho ritual). A única solução é quebrá-lo. Uma vez quebrado, ele deixa de ser um "utensílio" e a impureza desaparece. Se alguém pegou um forno de barro impuro e o cortou horizontalmente em anéis (fatias). Depois, remontou o forno colocando areia entre as fatias, talvez cobrindo tudo com uma camada de gesso por fora para mantê-lo unido. Rabi Eliezer argumenta que, como o forno foi cortado em pedaços e há areia separando-os, ele tecnicamente está "quebrado". Não é mais um utensílio íntegro, portanto a impureza se foi.

Os Sábios, no entanto, argumentam que, como o forno ainda funciona perfeitamente e mantém sua forma, ele é funcionalmente um utensílio. A areia é apenas um artifício. Portanto, ele continua impuro.

Este objeto ficou conhecido como o "Forno de Akhnai". O Talmud explica logo em seguida que o nome Akhnai (serpente em aramaico) foi dado porque os sábios "envolveram" Rabi Eliezer com argumentos lógicos como uma serpente, ou porque a discussão foi tão "venenosa" que causou grandes divisões.

Esta disputa não é apenas sobre cerâmica; ela é o ponto de partida para discutir a autoridade da maioria versus a revelação individual, e terminará com a famosa intervenção divina que os sábios recusarão, dizendo: "A Torá não está no céu". Continuemos o episódio...

Agora o Talmud explica o nome do forno e descreve o início do confronto intelectual que se tornaria um dos momentos mais surreais da tradição rabínica.

Bava Metzia 59b: 

"E este é o 'Forno de Akhnai'. O que significa 'Akhnai'? Disse Rav Yehuda em nome de Shmuel: [Significa] que eles cercaram [o assunto] com argumentos como esta serpente (Akhna), e o declararam impuro. Foi ensinado [em uma Baraita]: Naquele dia, Rabi Eliezer trouxe todas as respostas [argumentos] do mundo, mas eles [os Sábios] não as aceitaram dele."

A palavra aramaica Akhna significa serpente. Há uma boa interpetação para essa metáfora, que é a lógica Implacável de nossos Sábios, eles formaram um círculo lógico tão fechado e perfeito em torno de Rabi Eliezer que ele não tinha por onde "escapar" com seus argumentos. Ou seja, eles o cercaram como uma serpente.

Rabi Eliezer era conhecido por sua memória prodigiosa e por ser um "poço selado que não perde uma gota" de tradição. Ele não estava apenas elaborando argumentos; ele estava citando todas as tradições e lógicas possíveis que conhecia desde o Sinai. No entanto, há um ponto de virada aqui: o intelecto e a tradição individual versus o consenso (da maioria). A Guemará enfatiza que, por mais brilhante que ele fosse, a maioria dos Sábios simplesmente não se viu convencida.

Como os argumentos lógicos de Rabi Eliezer não foram aceitos, ele recorre a demonstrações sobrenaturais para provar que a vontade divina está do seu lado.

"Ele [Rabi Eliezer] disse-lhes: 'Se a Halachá [lei] é como eu digo, que esta alfarrobeira o prove!' A alfarrobeira foi arrancada do seu lugar e se moveu cem côvados — e alguns dizem que foram quatrocentos côvados. Eles [os Sábios] disseram-lhe: 'Não se traz prova de uma alfarrobeira'. Ele voltou a dizer-lhes: 'Se a Halachá é como eu digo, que o canal de água o prove!' O canal de água começou a fluir para trás [em direção oposta]. Eles disseram-lhe: 'Não se traz prova de um canal de água'."

Depois de tentar convencer os Sábios com a botânica (a alfarrobeira) e a hidrologia (o canal de água), Rabi Eliezer convoca a própria arquitetura do local sagrado onde estão debatendo: o Beit HaMidrash (Casa de Estudo).

"Ele voltou a dizer-lhes: 'Se a Halachá é como eu digo, que as paredes da Casa de Estudo o provem!' As paredes da Casa de Estudo inclinaram-se para cair. Rabi Yehoshua repreendeu as paredes, dizendo-lhes: 'Se estudiosos da Torá discutem entre si sobre a Halachá, o que tendes vós com isso [qual a vossa natureza/negócio nisso]?' As paredes não caíram, em honra a Rabi Yehoshua, mas também não se ergueram, em honra a Rabi Eliezer; e elas ainda permanecem inclinadas."

Rabi Eliezer, vendo que nem a lógica nem os milagres físicos convenceram seus colegas, apela para a autoridade máxima do universo.

"Ele voltou a dizer-lhes: 'Se a Halachá é como eu digo, que do Céu o provem!' Saiu uma Bat Kol [Voz Celestial] e disse: 'O que tendes vós contra Rabi Eliezer? Pois a Halachá [lei] é como ele em todos os lugares!'"

Neste ponto, qualquer tribunal humano se renderia. Se o Próprio Autor da lei diz que um juiz está certo, o caso deveria estar encerrado, certo? Mas é aqui que a história toma outro rumo. Os Sábios "desafiarão" a Bat Kol. A resposta de Rabi Yehoshua é uma das citações mais famosas da história: לֹ֥א בַשָּׁמַ֖יִם הִ֑וא "Lo Bashamayim Hi" (Ela [a Torá] não está no céu).

"Rabi Yehoshua levantou-se sobre seus pés e disse: 'Ela [a Torá] não está no céu!' (Deuteronômio 30:12). O que significa 'Ela não está no céu'? Disse Rabi Irmeya: Significa que, como a Torá já foi entregue no Monte Sinai, nós não damos atenção a uma Bat Kol; pois Tu já escreveste na Torá no Monte Sinai: 'Deve-se inclinar [a decisão] segundo a maioria' (Êxodo 23:2). [Anos depois], Rabi Natan encontrou o profeta Elias e perguntou-lhe: 'O que o Santo, Bendito Seja Ele, fez naquela hora [quando Rabi Yehoshua disse isso]?' Elias respondeu: 'Ele sorriu e disse: Meus filhos me venceram! Meus filhos me venceram!'"

Rabi Yehoshua usa a própria Torá de Hashem para encontrar argumentos contra a lógica da Bat Kol. A lógica é profunda, pois no momento em que Hashem entregou a Torá aos judeus no Sinai, Ele transferiu a autoridade de interpretá-la para a mente humana. A Torá deixou de ser um objeto místico no céu e tornou-se a "Constituição" de Israel.

Se decisões pudessem ser mudadas constantemente, a lei seria instável e subjetiva. Ao insistir em "Seguir a maioria", os Sábios garantem que a lei seja baseada na razão, no debate e no consenso.

"Disseram: Naquele mesmo dia, trouxeram todos os objetos puros que Rabi Eliezer havia declarado puros e os queimaram no fogo [tratando-os como impuros, para marcar a autoridade da nova decisão]. E votaram sobre ele e 'abençoaram-no' [este é um eufemismo talmúdico para excomungá-lo, colocar em Cherem]. E disseram: 'Quem irá e o informará?'

Disse-lhes Rabi Akiva: 'Eu irei, para que não vá uma pessoa indigna e o informe, e acabe por destruir o mundo inteiro'."

Rabi Akiva era o discípulo mais próximo e brilhante de Rabi Eliezer. Ele se voluntariou por um motivo estratégico e empático, Akiva sabia que a notícia da excomunhão era um golpe mortal para a dignidade de seu mestre. Se alguém rude ou insensível desse a notícia, a dor de Rabi Eliezer seria tão profunda que sua reação (ou seu clamor a Hashem) poderia ter consequências catastróficas.

Como vimos no início da nossa conversa, a opressão (Ona'ah) de um justo abre os portões do céu instantaneamente. Rabi Akiva temia que, se o mestre fosse humilhado de forma "indigna", a ira divina ou o poder espiritual de Rabi Eliezer desestabilizariam a própria existência.

O Talmud usa o termo "abençoar" (Berchuho) para não proferir a palavra "amaldiçoar" ou "excomungar" em relação a um sábio tão grande. Isso mostra que, mesmo ao puni-lo para preservar o sistema jurídico, os Sábios sentiam o peso e a reverência devida a ele.

Rav Akiva entendeu que a forma como a verdade é dita é tão importante quanto a verdade em si. Esta é uma das cenas mais melancólicas do Talmud. Rabi Akiva demonstra aqui como cumprir uma tarefa dolorosa minimizando a Ona'at Devarim (opressão verbal) através do uso de símbolos em vez de palavras cortantes.

"O que fez Rabi Akiva? Vestiu-se de preto e envolveu-se em mantos pretos, e sentou-se diante dele [de Rabi Eliezer] a uma distância de quatro côvados. Disse-lhe Rabi Eliezer: 'Akiva, o que há de diferente hoje?' Disse-lhe [Akiva]: 'Rabi, parece-me que os teus colegas estão se afastando de ti.' Ele [Rabi Eliezer] também rasgou suas vestes, descalçou seus sapatos, deslizou e sentou-se sobre o chão."

Rabi Akiva usa uma linguagem corporal e verbal extremamente cuidadosa para não envergonhar seu mestre diretamente: O Luto (Vestes Pretas): No judaísmo, o luto e a excomunhão compartilham sinais externos. Ao vestir preto, Akiva sinaliza que algo trágico aconteceu, preparando o estado emocional de Rabi Eliezer sem precisar dizer "você foi expulso". De acordo com as leis do Cherem (excomunhão), as pessoas devem manter essa distância do excomungado. Em vez de dizer "nós te excomungamos", ele usa a expressão: "Parece-me que os teus colegas estão se afastando de ti". Ele fala como se fosse um observador externo, suavizando o golpe e tratando a decisão com uma tristeza compartilhada, não como um ataque pessoal.

A reação de Rabi Eliezer é a de quem entra em luto profundo por si mesmo: Rasgar as vestes e descalçar os sapatos: São os sinais clássicos de luto (Shivá). Sentar-se no chão: Ele aceita o veredito da maioria imediatamente, apesar de saber que, no Céu, ele estava certo. Aqui chegamos à manifestação física e catastrófica daquilo que discutimos no início: a força da lágrima de quem é oprimido. O Talmud descreve que a dor de Rabi Eliezer foi tão profunda que a ordem natural do mundo foi abalada.

"Seus olhos [de Rabi Eliezer] derramaram lágrimas, [e como consequência] o mundo foi atingido: um terço das azeitonas, um terço do trigo e um terço da cevada [foram destruídos/estragados]. E há quem diga: até a massa nas mãos de uma mulher inchou [e estragou]. Foi ensinado: Houve uma grande ira (ou desastre) naquele dia, pois em todo lugar para onde Rabi Eliezer voltava seu olhar — era queimado."

Estas são as lágrimas de um homem justo (Tzadik). Rabi Eliezer possuía uma "energia espiritual" tão intensa que sua tristeza se transformou em um poder destrutivo.

O Bava Metzia continua. Raban Gamliel era o Nasi (Príncipe/Líder do Sinédrio) e foi quem tomou a decisão institucional de excomungar Rabi Eliezer para manter a unidade do povo.

"E até o próprio Raban Gamliel estava vindo em um navio [naquele momento]. Levantou-se sobre ele uma onda gigante para afundá-lo. Ele disse: 'Parece-me que isto não é por outra razão senão por causa de Rabi Eliezer ben Hurcanus'. Levantou-se sobre seus pés e disse: 'Soberano do Universo, é revelado e conhecido diante de Ti que não para minha honra eu fiz [isso], nem para a honra da casa de meu pai eu fiz, mas sim para a Tua honra, para que não se multipliquem as controvérsias em Israel'. O mar descansou de sua fúria."

Raban Gamliel não é apresentado aqui como o vilão da história, mas como um líder enfrentando um paradoxo trágico: O mar, que representa o caos e a força da natureza, reage à dor de Rabi Eliezer. É a manifestação física do conceito de que "os portões da opressão (Ona'ah) não se fecham". A dor do oprimido "persegue" o opressor, mesmo que este tenha agido por vias legais.

Raban Gamliel não pede desculpas pelo veredito, mas esclarece sua intenção. Ele argumenta que, se cada sábio pudesse desafiar a maioria com milagres, o sistema jurídico desmoronaria e o povo se dividiria em seitas. Sua intenção era o bem comum (Lishmá). O fato de o mar se acalmar indica que Hashem aceitou a justificativa de Raban Gamliel. No entanto, o fato de a tempestade ter começado prova que, mesmo com boas intenções, a dor causada a um indivíduo tem um custo espiritual altíssimo, principalmente se ele possui uma alma tão sagrada.

"Ima Shalom era a esposa de Rabi Eliezer e irmã de Raban Gamliel. Daquele incidente em diante [a excomunhão], ela não permitia que Rabi Eliezer 'caísse sobre seu rosto' [fizesse a oração do Tachanun, na qual se recitam súplicas intensas que poderiam incluir clamores contra quem o magoou].

[O Taḥanun (תחנון), também chamado Nefilat Apayim (“prostração do rosto”), é a oração de súplica recitada após a Amidá nas preces de Shacharit e Minchá em dias comuns.]

Naquele dia, era o início do mês (Rosh Chodesh), e ela se confundiu entre um mês 'cheio' [de 30 dias] e um mês 'faltante' [de 29 dias] — ou, como alguns dizem: um pobre veio e parou à porta, e ela saiu para lhe dar um pedaço de pão."

Ima Shalom está em uma posição impossível: ela é a ponte entre os dois protagonistas, ela é a esposa do homem humilhado (Rabi Eliezer) e irmã do líder que ordenou a humilhação (Raban Gamliel). Ela conhece a lei da Torá: "Todos os portões estão trancados, exceto os portões da opressão". Ela sabe que, se o marido rezar com o coração partido, a oração será atendida e seu irmão morrerá.

"Cair sobre o rosto" (Tachanun): É o momento da liturgia judaica de maior vulnerabilidade e súplica pessoal. Ima Shalom vigiava o marido 24 horas por dia para impedir que ele fizesse essa oração específica, servindo como um "escudo espiritual" para o seu irmão. O Talmud oferece duas explicações para o momento em que a guarda dela falhou: Ela achou que naquele dia, por ser feriado (Rosh Chodesh), o Tachanun não seria recitado (é a regra litúrgica), mas ela errou o cálculo dos dias. Ou então, ela se distraiu com um ato de bondade (dar pão a um pobre).

"Ela [Ima Shalom] o encontrou caído sobre o seu rosto [em oração]. Ela lhe disse: 'Levante-se! Tu mataste o meu irmão!' Enquanto isso, saiu o toque do Shofar da casa de Raban Gamliel, [anunciando] que ele havia falecido. Ele [Rabi Eliezer] perguntou-lhe: 'Como tu sabias [que ele morreria]?'

Ela lhe respondeu: 'Assim recebi como tradição da casa do pai de meu pai: Todos os portões estão trancados, exceto os portões da opressão (Ona'ah)'."

 Rabi Eliezer não precisou rezar especificamente pela morte do cunhado. Apenas o ato de "cair sobre o rosto" e derramar sua angústia perante Hashem foi o suficiente. Como ele foi vítima de Ona'at Devarim (foi humilhado e isolado), o "canal" de sua oração estava escancarado. Ima Shalom cita exatamente a frase de Rav Chisda que vimos no começo.

Toda essa longa história do Forno de Akhnai foi inserida no Talmud para ilustrar um único ponto prático: o perigo de ferir os sentimentos de outra pessoa, e pior ainda se essa pessoa é um tazdik cumpridor da Torá, conforme vimos no início deste artigo, veja lá "Qual é o significado do que está escrito: "E não maltratareis cada um seu colega [amito]" (Levítico 25:17)? A palavra amito é interpretada como uma contração de im ito, que significa: Aquele que está com ele. Com aquele que está com vocês na observância da Torá e das mitzvot, não o maltratareis."

A preservação da dignidade alheia é colocada no mesmo nível da preservação da própria vida. No pensamento judaico, destruir a reputação de alguém publicamente é visto como uma forma de assassinato espiritual.

Razá Ilaáh!

quarta-feira, 22 de abril de 2026

Águas do Chessed - Visões da Etz Chaim: Derech Rivka Iménu

 

Para conectar-se com a alma de nossa mãe Rivka


9 beTamuz 5781 (19, junho, 2021)

Sonhei com uma caravana de beduinos, eles tinham um Bazaar (mercado nômade) e eu estava inserida ali no meio como um deles; eu tinha uma barraca de maçãs que procurava vender e comi uma delas, mas a minha barraca era simplesmente um portal de madeira. Também eu estava com muitas notas estrangeiras bem grandes na mão e muitas moedas pesadas. 

Depois a caravana começou a partir e percebi que eram beduinos tecnológicos com bugigangas tecnológicas aos montes e era muita gente. E estávamos montados em camelos, contudo esses camelos eram veículos tecnológicos-vivos, e as suas pernas eram longuíssimas e ligeiras demais como vento de modo que eram a última e mais avançada tecnologia já existente. Na parte superior do camelo, no local de sua corcova e sua cabeça, na verdade era uma grande cúpula transparente e eu estava ali. Então os veículos-camelos pararam cada qual no local onde seria a casa do seu cavaleiro que o montava, e parei no local da minha e toda a estrutura das casas era apenas duas vigas brancas com pontas curvadas que se estendiam do solo, e um a um vi os veículos "caminharem" para tais lugares.

E se curvavam sobre elas como formando cúpulas brancas sobre a estrutura e tais cúpulas eram tendas brancas tecnológicas nas quais viviam os beduínos. Por dentro da tenda, ela projetava hologramas de cômodos e objetos. Depois de ver isso, acordei.


Pirush: O Mundo de Atzilut é chamado "Tendas", as pernas são as vestimentas Netzach-Hod-Yesod e por isso elas são espiritualmente velozes. Além disso, este sonho está conectado com a sefirá Chessed que é Avraham Avinu, o camelo é chamado גָּמָל/gamal em hebraico, essa palavra também significa conceder, como em גְּמִילוּת חֲסָדִים/gemilut chasadim – conceder bondade (Pirkei Avot 1:2), e por este motivo, por se associar com a sefirá de Avrahão - chessed - que Rivka foi escolhida por esposa à Itzhaq "E será que a jovem a quem eu disser: inclina, por favor, o teu cântaro para que eu beba — e ela disser: bebe, e também aos teus camelos darei de beber — a ela designaste para teu servo, para Itzhaq; e por meio dela saberei que fizeste chessed com meu senhor." (Bereshit 24:14).

Após a provação no Monte Moriah, a alma de Itzhaq "voou" de seu corpo devido à intensidade da experiência. Embora tenha retornado, Itzhaq foi levado por anjos ao Gan Eden por um período de três anos para se curar e se elevar espiritualmente (Pirkei DeRabbi Eliezer 31:10, Targum Jonathan, Bereshit 22:19). O Rav Moshe Meir Weiss, expandindo essa ideia (frequentemente baseando-se em conceitos do Sfat Emet ou do Shem MiShmuel), explica que a santidade de Itzhaq era o reflexo direto da "imagem divina". Rivkah não viu apenas um homem, ela viu o Tetragrama (o Nome de Quatro Letras de Deus) manifestado na face e na personalidade de Yitzchak e por isso ela caiu do camelo, significando que demostrava humildade em relação à ele.

Na estrutura dos mundos espirituais, o camelo (Gamal - גָּמָל) ocupa uma posição intermediária única. Ele está ligado à Kelipat Nogah, por isso, diz-se que sua natureza é mista: a parte superior inclina-se para a santidade (Kedushá), enquanto a inferior tende à impureza. De acordo com o Zohar, sonhar com um camelo é um presságio paradoxal. Embora indique que um decreto de morte pairava sobre o indivíduo, traz a boa nova de que ele foi salvo. O segredo desta salvação reside na gematria: Gamal (גָּמָל) é igual a 73, mesmo valor de Chochmah (חכמה - Sabedoria). A transformação da palavra "camelo" em "sabedoria" significa a transmutação do julgamento severo em vida plena.

A Torá descreve o momento em que Itzhaq sai ao campo (Gênesis 24:63): Este "campo" é o Pomar das Maçãs Sagradas. Ao ver a combinação de camelos com a Shekinah, Itzhaq — que personifica o atributo de Gevurah — percebeu a presença de forças impuras e julgamentos que trazem a morte. Sua intenção ao "sair ao campo" era justamente separar o sagrado do profano e erradicar essa negatividade. Quando Rivkah avista Itzhaq, a Torá diz que ela "caiu do camelo" (Gênesis 24:64). Conforme explica o Sefer Ohev Yisrael, esta queda não foi acidental, mas espiritual: ela abandonou a configuração de letras de גָּמָל (o decreto de morte) para abraçar a luz de חכמה (Sabedoria), conforme ensina o Rei Salomão em Kohelet 7:12: "mas a vantagem do Da'at (Conhecimento) é que a Chochmah preserva a vida de quem a possui.". 

Portanto, ao elevar a energia do "camelo" (Nogah) através da retificação espiritual, o julgamento é anulado.

Esta visão do camelo é também a visão da Árvore das Vidas, posto que a parte superior elevada é o Olam haAtzilut onde as Klipot não alcançam, e a parte inferior é a Etz haDaat Tov veRá que engloba os Mundos de BYA (Briá, Yeztirá e Assiá).

יֹשֵׁב אֹהָלִים

"aquele que habita em tendas"


30 beKislev, 5782 (4, dezembro, 2021) 

Sonhei, mas permaneci dormindo, e estive num escuro por longo tempo como se descesse e após isso, eu acordei. No sonho, eu ando por uma estrutura na aparência de uma casa com cômodos bem definidos e grandes. Todas as coisas acontecem encima de águas a semelhança de um rio, contudo as águas correm pelas laterais e há uma torre de água caindo de cima enquanto respinga por toda a estrutura. Há como uma pedra lisa enorme sob meus pés que é como se fosse todo o piso que é a pista da BR-222. Então eu vejo três fileiras de três tendas sendo colocadas numa ação invisível sobre aquelas águas formando exatamente a disposição das 10 sefirot. A tenda de cima não se materializa e está alocada mais acima das outras e mais para o lado como se fosse um local de observação (à parte), eu a vejo e a sinto e sei que ela tem a mesma aparência das outras, eu estou dentro dela.

O topo das tendas é de tecido branco, mas as hastes de sustentação são de tendas de praia.

Eu estou explicando para alguém que as tendas são os compartimentos da casa e elas são a semelhança de como eram as tendas (dos tempos) de Abraão. Cada tenda tem uma especificidade as quais não me recordo e os membros da minha família estão espalhados por elas cada qual deles realiza algo em particular.

Sentados nessa tenda há três homens ao redor de uma mesa redonda, eles lançam cartas numa pilha cada uma com um valor superior à carta anterior, há um quarto jogador oculto, sendo o rosto do primeiro muito visível, do segundo menos visível que aquele e o rosto do terceiro completamente borrado - como se eles próprios fossem níveis sucessivos. Eles estão sexualmente atraídos por mim, a medida do nível do seu ratzon de modo que ele se diminui a conforme a materialização de seus aspectos.

O homem com o rosto mais visível estava tão atraído que se levantou e veio até mim, enquanto o segundo permaneceu apenas a cortejar com palavras. Eu estava vestida de águas, pois as águas que corriam lateralmente e a torre de águas que caia corriam para mim e me vestiam e estas águas era o que causava atração aos homens. (...)


Pirush: No alfabeto hebraico, as letras de "BR" (ב-ר) são as mesmas de Rav (רב - Mestre/Grande) que equivale a 202 somando com 222 é igual a 424 a gematria de Machiach Ben David. O Olam haAtzilut é comparado ao nível da casa e é também chamado "Tendas", conforme já dito anteriormente.

Estar vestida de águas, isso é, Ohr Chochmá - a Luz do Deleite.

A tenda que permanece à parte das outras no local mais elevado e que não se materializou, está associada ao palácio espiritual onde a alma do Mashiach reside, aguardando o momento da revelação. É um estado de perfeição que existe acima das limitações da matéria, representa também insights espirituais que não podem ser deduzidos apenas pela lógica. É o conhecimento que vem da intuição profética ou de uma conexão direta com o Divino, ora, a "Torre que flutua no Ar" significa uma fé (Emunah) tão elevada que não precisa de provas racionais para se sustentar, esta é a excitação espiritual.

Quando Eliezer, o servo de Abraão, pede um sinal ao Santo, Abençoado Seja Ele, para encontrar a esposa ideal para Itzhaq, ele estabelece um teste de hospitalidade extrema. Itzhaq é Gevurah, e ele precisava de uma contraparte que fosse o epítome de Chessed.

Rivka então aplica um esforço sobre-humano em sustentar não apenas Eliezer, mas também aos seus camelos, significando um ato de doar-se além da medida, a capacidade da alma de dar além do que é solicitado.

Rivka ao tirar água do poço está, misticamente, extraindo a sabedoria das fontes superiores e canalizando-a para o mundo físico. O número de camelos não é aleatório. Os dez camelos representam as dez Sefirot (as dimensões da Árvore das Vidas). O camelo, sendo um animal "impuro" para o consumo (segundo as leis da Cashrut), mas essencial para a travessia do deserto, representa as forças da natureza que precisam ser "elevadas", ao dar de beber a todos os dez camelos, Rivka demonstrou que tinha a capacidade espiritual de nutrir e equilibrar todos os dez canais de energia divina. Ela demonstrou que era capaz de sustentar toda a estrutura da Árvore das Vidas que a linhagem de Abraão estava construindo.

Veja Sulam Chayei Sara 224: Vem e vê: “e aconteceu que ela saía”. Pergunta-se: está escrito “saía” (yotzet), deveria dizer “vinha” (ba’ah), como está dito “e eis que Rachel sua filha vinha…”. Por que está escrito “saía”? E responde-se que isso indica que o Santo, bendito seja, a fez sair de entre todos os homens da cidade, pois todos eram ímpios, e Rivka saía e se separava do conjunto dos habitantes da cidade, pois ela era justa. “E desceu à fonte” העינה (ha‘ayinah) está escrito com a letra ה, e este é o segredo: foi-lhe preparado ali o poço de Miriam, que é o aspecto da Nukva de Zeir Anpin quando ilumina com a iluminação de Chochmah. Por isso está escrito ha‘ayinah com ה, aludindo à Nukva, que é o ה inferior do Nome Havayáh. Também ha‘ayinah העינה é da linguagem de “olhos” עֵינַיִם (einayim), que é o nome de Chochmah. E as águas subiam ao encontro de Rivka.


Razá Ilaah!


SOD ISAÍAS 12

 


ר' יִצְחָק אָמַר, וַיְהִי לִי לִישׁוּעָה, דָּא מַלְכָּא קַדִּישָׁא, וְהָכִי הוּא. וּמְנָלָן. מִקְרָא אַחֲרִינָא אַשְׁכַּחְנָא לֵיהּ, דִּכְתִּיב, (ישעיהו י״ב:ב׳) כִּי עָזִּי וְזִמְרָת יָהּ יְיָ' וַיְהִי לִי לִישׁוּעָה, מִמַּשְׁמַע דְּקָאָמַר יְיָ' וַיְהִי לִי לִישׁוּעָה, דָּא מַלְכָּא קַדִּישָׁא.

הִנֵּה אֵל יְשׁוּעָתִי אֶבְטַח, וְלֹא אֶפְחָד:  כִּי־עָזִּי וְזִמְרָת יָהּ יְהוָה, וַיְהִי־לִי לִישׁוּעָה.

Rabi Yitzchaq disse: “e Ele se tornou para mim salvação” — isto é o Rei Santo (Malka Qadisha), e assim é. E de onde sabemos isso? De outro versículo encontramos isso, como está escrito (Isaías 12:2): “Pois minha força e meu cântico é Yah, YHVH, e Ele se tornou para mim salvação”; do fato de que diz “YHVH, e Ele se tornou para mim salvação”, isto é o Rei Santo (Malka Qadisha).

A parte mencionada "e Ele se tornou para mim salvação (וַיְהִי לִי לִישׁוּעָה)... Vayechi Li Lishuá" possui gimatria Mispar Siduri igual a 123 que é a gimatria ordinal de "Chaim Vital" soletrada como aparece no Isaías capítulo 12 versículo 2 visto acima (ויטל חיים) e portanto, a alma do rabino Chaim Vital é o Malka Qadishá (מַלְכָּא קַדִּישָׁא) - Rei Santo e que é a alma de Ezequias, rei de Judá.

O Artesão Da Luz