Tehilim 126:1 שִׁיר הַמַּעֲלוֹת, בְּשׁוּב ה׳ אֶת־שִׁיבַת צִיּוֹן, הָיִינוּ כְּחֹלְמִים׃
Shir haMa'alot, beshuv Hashem et shivat Tzion, hayinu kecholmim.
“Cântico das ascensões. Quando Hashem trouxe de volta os cativos de Tzion, éramos como aqueles que sonham.”
Zohar Emor Daf (folha) 89b: "há setenta anos no sonho (...) Certamente há setenta anos no sonho."
Se você pudesse viver uma vida inteira em poucos minutos e, ao despertar, conservasse todas as lembranças, os amores e as perdas daquela existência, qual das duas vidas seria a sua verdadeira vida?
“The Inner Light” (A Luz Interior) é o episódio 25 da quinta temporada de Star Trek: The Next Generation, exibido originalmente em 1992. É um dos episódios mais emocionantes da série. A história começa quando a Enterprise encontra uma antiga sonda espacial desconhecida. Um feixe de energia atinge o capitão Picard, que imediatamente perde a consciência. Quando desperta, ele não está mais na Enterprise: encontra-se em um planeta chamado Kataan, vivendo como um homem chamado Kamin.
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CONTÉM SPOILER:
Aos poucos, Picard deixa de lutar contra aquela realidade e passa a viver como Kamin. Ele se casa com Eline, tem filhos, faz amizades, envelhece e aprende a tocar flauta. Constrói uma vida comum, mas profundamente significativa. Durante essa existência, Kamin desenvolve interesse pela natureza e pela astronomia. Observa o céu com um telescópio e percebe que o planeta está sofrendo uma seca cada vez mais grave. A radiação de sua estrela está aumentando, e ele tenta alertar as autoridades de que Kataan está condenado. Com o passar dos anos, ele descobre uma verdade devastadora: os habitantes já sabem que o planeta será destruído, mas não possuem tecnologia para evacuar sua população. Eline e seu amigo Batai envelhecem e morrem. Seus filhos crescem, e Kamin chega à velhice.
Então vem a revelação. Um dia, seus familiares o levam para assistir ao lançamento de um foguete. Ele descobre que aquele lançamento está relacionado à sonda que encontrou a Enterprise. Os habitantes de Kataan, sabendo que sua civilização desapareceria, haviam colocado as memórias de seu povo em uma sonda e a enviado ao espaço. A missão era encontrar alguém no futuro que pudesse conhecer sua existência e contar sua história. Picard compreende que toda aquela vida que experimentou era a memória de Kamin, um homem daquele planeta desaparecido. Ele havia se tornado o guardião da memória de uma civilização inteira. De repente, desperta na ponte da Enterprise. Para a tripulação, haviam passado apenas 25 minutos. Para Picard, haviam transcorrido décadas de uma vida inteira.
Quando a tripulação recupera a sonda, encontra dentro dela uma pequena caixa contendo a flauta de Kamin. Picard pega o instrumento e toca uma melodia que aprendeu durante aquela vida. É uma das cenas mais bonitas da série: a vida de Kamin terminou há mil anos, mas sua memória continua viva em Picard.
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FIM DO SPOILER
Nós temos pelo menos duas dimensões de interpretação para trabalhar neste episódio. Vamos a elas:
A ETERNIDADE EM UM INSTANTE
Veja Likutey Moharan — Segunda Parte, Ensinamento 61:
O Santo, bendito seja, está acima do tempo, como é mencionado. E este assunto é, verdadeiramente, algo extraordinário e profundamente oculto, sendo impossível compreendê-lo por meio do intelecto humano.
Entretanto, saiba que a própria existência do tempo decorre unicamente da falta de compreensão, isto é, do fato de nosso intelecto ser pequeno. Pois, quanto maior é o intelecto, menor se torna o tempo, até que este acaba sendo completamente anulado.
Isso pode ser observado no sonho, quando o intelecto se retira e a pessoa dispõe apenas da faculdade da imaginação (Koach haMedamê). Nesse estado, em apenas quinze minutos, é possível atravessar setenta anos, conforme acontece nos sonhos, nos quais parece que muitos e muitos períodos de tempo transcorrem em um intervalo extremamente curto. Depois, quando a pessoa desperta do sono, percebe que todos aqueles períodos de tempo, aqueles setenta anos que transcorreram no sonho, na realidade, corresponderam a um intervalo muito pequeno.
Isso acontece porque, ao despertar, o intelecto retorna à pessoa. E, diante do intelecto, todos aqueles setenta anos que transcorreram no sonho não passam de quinze minutos. Entretanto, setenta anos propriamente ditos continuam sendo setenta anos também para o nosso intelecto. Na verdade, diante de um intelecto superior ao nosso, até mesmo aquilo que consideramos setenta anos completos corresponde somente a quinze minutos, ou menos ainda. Pois, assim como vemos que é possível atravessar setenta anos em um sonho e, posteriormente, compreendemos, por meio de nosso próprio intelecto, que tudo isso correspondeu apenas a quinze minutos, exatamente da mesma maneira, aquilo que, segundo o nosso intelecto, representa setenta anos completos, diante de um intelecto superior ao nosso representa apenas quinze minutos.
Apenas não conseguimos compreender isso.
Pois, mesmo durante o sonho, se alguém se aproximasse da pessoa enquanto ela estivesse sonhando e lhe dissesse que tudo aquilo que lhe parece estar acontecendo durante dias e anos, na realidade, não corresponde a nada disso, e que tudo não passa de quinze minutos, certamente ela não acreditaria de maneira alguma. Isso porque, segundo a imaginação que atua no sonho, parece-lhe que dias e anos inteiros estão efetivamente transcorrendo.
Da mesma maneira, embora, segundo o nosso intelecto, pareça que determinado período corresponde a setenta anos, diante de um intelecto muito maior, esse mesmo período [pode] representar apenas quinze minutos.
E assim acontece sucessivamente, em níveis cada vez mais elevados: diante de um intelecto ainda mais elevado, o período que, para o intelecto superior ao nosso, corresponde a quinze minutos, também não é considerado senão um intervalo muito pequeno, ainda menor. E assim prossegue, em níveis cada vez mais elevados, até que existe um intelecto tão elevado que, diante dele, todo o tempo deixa completamente de ser considerado.
Isso acontece porque, em razão da imensidão desse intelecto, todo o tempo se torna absolutamente inexistente e deixa de ter qualquer valor. Assim como, para nós, os setenta anos que transcorrem em um sonho correspondem, na realidade, apenas a quinze minutos, conforme mencionado anteriormente, da mesma maneira existe um intelecto acima de outro intelecto, até que o tempo seja completamente anulado.
Por isso, a respeito do Mashiach, sobre quem passaram todas as coisas que passaram desde o dia da Criação do mundo, e que suportou todos os sofrimentos que suportou, depois de tudo isso, no final, o Santo, bendito seja, lhe dirá: «Meu filho és tu; hoje Eu te gerei» (Tehilim 2:7). Em hebraico: Bení atá, ani hayom yelidticha.
[Observe que é dito "hoje", "hoje Eu te gerei"]
Isso é algo extremamente surpreendente e extraordinário, aparentemente. Entretanto, tudo isso acontece em razão da grandeza e da essência do intelecto do Mashiach, de acordo com o elevado nível que ele alcançará naquele momento. E, devido à extraordinária grandeza da excelência de seu intelecto, que crescerá então imensamente, todo o tempo que transcorreu sobre ele desde o dia da Criação do mundo até aquele momento será, literalmente, considerado como nada e inexistente.
Será exatamente como se ele tivesse nascido naquele próprio dia, pois todo o tempo será anulado dentro de seu intelecto, que será extraordinariamente elevado.
[Ou seja, ainda que se tenham passado seis mil anos, para o Mashiach esse periodo de tempo nada é]
Por isso, o Santo, bendito seja, lhe dirá: «Hoje Eu te gerei», literalmente hoje, pois todo o tempo que passou será completamente inexistente, conforme explicado anteriormente.
Da mesma maneira, também podemos observar isso em relação ao espaço. Uma pessoa dotada de grande força consegue atravessar um espaço muito extenso em um intervalo de tempo muito curto. Portanto, para ela, todo aquele espaço é pequeno, enquanto para as pessoas de pouca força, esse mesmo espaço é considerado extenso, sendo necessário caminhar durante muito tempo até atravessá-lo. E, da mesma maneira, em níveis cada vez mais elevados, quanto maior for a força [espiritual] , menor será o espaço para aquele que a possui.
E assim prossegue, em níveis cada vez mais elevados, até que o espaço seja completamente anulado. Entretanto, com o nosso intelecto [atual], é impossível compreender tudo isso.
Assim como é impossível compreender, durante o sonho, a verdade de que todo aquele período de tempo que parece transcorrer no sonho, na realidade, não corresponde a nada daquilo que imaginamos, da mesma maneira, também nos é impossível compreender que todo o nosso tempo não representa absolutamente nada diante do intelecto superior, conforme explicado anteriormente.
O Tzemach Tzedek escreve no Derech Mitzvotecha:

