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sexta-feira, 12 de junho de 2026

A ALMA DO JUDEU - O QUINTO ELEMENTO


Disse o jovem Chaim, filho do honrado Rabino Yosef Vital, de abençoada memória:

Vi os Bnei Aliyah [almas elevadas], e eles são poucos, desejosos de ascender, mas a escada ocultou-se de seus olhos. Eles refletem nos livros antigos, a fim de buscar e encontrar as veredas da vida — o caminho pelo qual devem andar e a ação que devem praticar —, para elevar suas almas à sua Raiz Suprema e apegar-se a Ele, bendito seja, pois Ele é a perfeição eterna.

Assim era o costume dos profetas: todos os seus dias apegavam-se ao seu Criador e, por meio desse apego, o Ruach haKodesh repousava sobre eles, para mostrar-lhes em qual caminho habita a luz, iluminar seus olhos nos mistérios da Torá — como orou o Rei David, a paz esteja com ele: "Desvenda os meus olhos, para que eu veja as maravilhas da tua Torá" —, e guiá-los pelo caminho reto, para irem à cidade de habitação preparada para eles junto aos Bnei Aliyah (filhos da ascensão).

E depois deles vieram os antigos chassídicos, chamados de "piedosos" [Prushim / ascetas], que buscaram seguir as pegadas dos profetas e as suas sendas, e semelhar-se a eles nas fendas das rochas e nos desertos. E separaram-se dos caminhos dos homens; e alguns deles eram isolados em suas próprias casas, à semelhança daqueles que andavam pelos desertos, e durante todo o dia e toda a noite jamais se calavam em louvar o seu Criador através do envolvimento com a Torá e com os cânticos do Rei David, a paz esteja com ele, que alegram o coração, até que o pensamento deles se apegasse, com força e desejo intenso, nas Luzes Supremas.

E perseveraram nisso todos os seus dias, até que subiram ao nível de Ruach HaKodesh e profetizaram sem cessar, conforme traduziu Onkelos: "e não pararam". Contudo, embora a situação de uns não fosse idêntica à de outros, não se encontram os modos de seus caminhos e de suas práticas [manuais de instrução] sobre como esses santos serviam ao Nome de Deus, bendito seja Ele, para que fizéssemos o mesmo também nós.

 E, por esta razão, diminuíram os corações, assim como os conhecimentos das gerações que vieram depois deles, e cessaram os possuidores de Ruach HaKodesh. Eles partiram para o descanso, deixaram-nos aos suspiros, sedentos e também famintos, a ponto de brotar o desespero nos corações dos homens para buscar esta sabedoria maravilhosa. E se forem encontrados dois ou três grãos no topo do ramo — um de uma cidade e dois de uma família —, buscam água e não há, pois toda visão foi selada, pelo motivo de não estar escrito em livro o modo de sua prática para se aproximar e entrar no santuário interior.

E há alguns deles que faziam juramentos pelo poder dos Nomes Sagrados aos anjos, e esperavam pela luz, e eis que havia escuridão; pois eram anjos muito inferiores, encarregados do serviço deste mundo, e eles são compostos de bem e mal. Eles mesmos não alcançam a verdade e as Luzes Supremas, e revelam a eles coisas misturadas: bem e mal, verdade e mentira, e palavras vãs sobre assuntos de medicinas, a ciência da alquimia (chachmat ha-chimia), a confecção de amuletos e conjurações; e também estes cambalearam com o vinho e erraram com a bebida forte. Quem dera que o coração deles estivesse voltado para ocupar-se com a Torá e com os mandamentos, e fizessem uma inferência lógica (kal vachomer) a partir daqueles quatro grandes de Israel que entraram no Pardes [o pomar/jardim místico] e nenhum deles escapou ileso, exceto aquele ancião piedoso, Rabi Akiva — e mesmo ele, os anjos ministrantes quiseram empurrá-lo, não fosse o Eterno em seu auxílio —, que entrou em paz e saiu em paz.

E a verdade é que eles buscavam níveis grandiosos, próximos à profecia, e por isso alguns correram perigo. Contudo, nós, quem dera tivéssemos o mérito de um pequeno nível de Ruach HaKodesh, como a questão da revelação de Elias, de abençoada memória, a qual muitos mereceram alcançar, como é sabido, e como a questão da revelação das almas dos tzadikim, conforme mencionado muitas vezes no livro Tikkunei HaZohar. E não apenas isso, pois também em nosso próprio tempo vi homens santos que mereceram tudo isso. E há casos em que a própria alma do homem, ao purificar-se intensamente, se revelará a ele e o guiará em todos os seus caminhos. E todos esses são caminhos próximos, que podem ser alcançados até mesmo em nosso tempo por aqueles que são dignos deles. Porém, na verdade, é necessária uma grande percepção e muitas provações para se sustentar na verdade, para que não haja com ele, talvez, um outro espírito, não puro. (...)

Portanto, o espírito em meu íntimo constrangeu-me a abrir caminhos para os "separados" e apoiar a sua mão direita, a fim de mostrar-lhes o caminho pelo qual devem andar. E, por esta razão, compus esta obra — pequena em quantidade e grandiosa em qualidade — para que os sábios resplandeçam, e a chamei de Shaarei Kedushá (Portais da Santidade). E nela explicarei segredos que não foram vislumbrados pelos primeiros que nos antecederam, pois eu os recebi da boca de um homem santo, um anjo do Senhor dos Exércitos, meu mestre, o Ari, Rabi Yitzchak Luria, de abençoada memória.

E por serem eles mistérios do universo e profundezas ocultas, revelarei a largura de um palmo e ocultarei dois mil côvados; e abrirei com esforço os portais da santidade, como o fundo de uma agulha fina, e aquele que for digno terá o mérito de entrar no santuário mais íntimo. E o bom Deus não privará do bem aqueles que andam em integridade.

Parte I:

É conhecido pelos possuidores de intelecto que o corpo humano não é a pessoa em si, pelo aspecto corpóreo, pois este é chamado de "a carne do homem", conforme está escrito: "De pele e carne me vestiste, e de ossos e tendões me tecestes" (Jó 10:11). E também está escrito: "Sobre a carne humana não se ungirá..." (Êxodo 30:32). Logo, conclui-se que a pessoa é a interioridade, enquanto o corpo é apenas uma veste na qual se veste a Nefesh haSichlit - alma intelectual [נפש השכלית ] — a qual é a pessoa em si enquanto ela está neste mundo.

E, após o falecimento, essa veste será desnudada dela pessoa, e ela se vestirá com uma veste espiritual, pura e limpa, conforme está escrito: "Tirai-lhe estas vestes sujas... e vestir-te-ei de vestes de gala" (Zacarias 3:4) — que é o que se chama de Chaluka de-Rabanan (o manto dos sábios).


Adendo [explicação no Pardes Rimonim]: “O principal da alma é alcançado após sua ascensão do mundo da ação ao mundo da recompensa. Pois, antes de descer, ela [a alma] ainda é deficiente em muitos aspectos — e mesmo quando se encontra em uma altura sublime no ápice dos mundos, ainda assim não possui existência plena antes de sua “geração superior”; e mesmo após ser gerada, é como se estivesse nua (aruma). Quando desce, reveste-se no Jardim do Éden inferior com um manto puro feito do ar daquele Éden, e assim ocorre a cada degrau em que ela se eleva — ela desce novamente e se reveste segundo o nível correspondente. E quando se ocupa neste mundo com o estudo da Torá e a prática das mitsvot, então merece um belo manto, chamado “Chaluká de-Rabbanan” — o vestido dos sábios, que é o vestido da Torá e das mitsvot com as quais ela se envolveu neste mundo.

Com esse vestido, ela merece ascender e contemplar o semblante do Rei, o Eterno dos Exércitos, seu Pai, pois antes de vir a este mundo estava nua, e ao sair dele não poderá comparecer diante do Rei sem estar vestida com os mantos da Torá e das mitsvot. Pois o manto do ar do Jardim do Éden é um vestido simples e polido, sem ornamentos, e é necessário que ela esteja vestida de linho e púrpura, com vestes adornadas — que são a espiritualidade das mitsvot, vestes sutis e luminosas com as quais se aproxima do altar, por meio de Mikháel, o Sumo Sacerdote.”


E assim como o alfaiate faz a vestimenta do corpo do homem no formato dos membros corporais, da mesma forma Ele, bendito seja, fez o corpo — que é a veste da alma — no formato e imagem da própria alma, com 248 membros e 365 tendões que unem os membros, para por meio deles conduzir o sangue e a vitalidade de um membro a outro, à semelhança de canais.

E, após a formação do corpo, soprou nele uma alma viva (Néfesh Chayáh - נפש חיה), que é composta por 248 membros espirituais e 365 tendões [espirituais]. Eles se vestiram dentro dos 248 membros e 365 tendões do corpo; e então, os membros da alma exercem sua atividade por meio das ferramentas que são os membros do corpo, como um machado na mão do lenhador que corta com ele.

E a prova disso é que os membros do corpo não exercem sua atividade a não ser enquanto a Nefesh está neles — o olho vê, o ouvido ouve, etc. —, e, ao retirar-se a alma, escurecem-se os olhos e anulam-se todos os sentidos dos 248 membros.

E, desta mesma maneira, os 365 tendões espirituais da Néfesh vestem-se dentro dos 365 tendões que estão no corpo e conduzem o alimento corpóreo, que é o sangue, aos 248 membros do corpo, junto com o alimento espiritual interior contido nele, para sustentar os 248 membros da Néfesh.

E, após o falecimento, nenhuma vitalidade é emanada, e os tendões do corpo também se desfazem e apodrecem, assim como os 248 membros, tornando-se como se nunca tivessem existido. Logo, conclui-se que a pessoa em si não é senão a Néfesh haSichlit (Alma Intelectual), que se veste no corpo, o qual é chamado de sua veste neste mundo (sua verdadeira identidade).

E saiba que, depois que Adam HaRishon pecou e comeu da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal, sua Néfesh e seu corpo também foram mesclados, cada um deles, de bem e mal. E esta é a questão da impureza da serpente que ela lançou sobre Chaváh e sobre Adam; e, por meio do mal e da impureza que lançou neles, causaram a si mesmos doenças, pragas e morte para as suas Nefashot e para os seus corpos. E é isto o que está escrito: "Pois no dia em que dela comeres, certamente morrerás" (Gênesis 2:17) — a morte da Néfesh e a morte do corpo.

(...) Eis que, quando ele pecou com a Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal, causou essa mistura em todos os mundos, e não há sequer uma coisa para você que não seja composta de bem e mal.

E conclui-se que o corpo do homem foi formado a partir dos quatro elementos inferiores, e eis que eles são compostos de bem e mal. O corpo do homem foi formado a partir do bem que há nos quatro elementos — fogo (esh), ar (ruach), água (mayim) e terra (afar) —, ao passo que, a partir do mal que há neles, formaram-se no corpo os quatro humores, que são: a branca (a fleuma), a negra (a bile produzida pelo baço), a vermelha (o sangue) e a verde (a bile da vesícula biliar). Esses humores afetam a saúde física e o equilíbrio da pessoa, bem como seu caráter e disposição.

E, quando qualquer um deles se fortalece, a partir do aspecto do mal que há neles sobre o aspecto do bem que há neles, vêm doenças e pragas sobre a pessoa; e, se se fortalecer excessivamente, causará a morte ao corpo do homem.

E já foi explicado que em todos os mundos houve uma mistura de bem e mal, e conclui-se que também na Néfesh do homem foi assim; pois, porventura, ela não foi esculpida a partir de quatro elementos espirituais dos quais foram criados todos os seres superiores? E eles são as quatro letras do Nome Havayah, bendito seja. E sobre isso foi dito: "Vem dos quatro ventos, ó espírito..." (Ezequiel 37:9) — e esta é a chamada Néfesh do próprio homem pelo lado do bem.

E eis que "Deus fez uma coisa em oposição à outra" (Eclesiastes 7:14), e isto é o que se chama Adam Beliyaal [o homem perverso] — o termo BliYa’al (בליעל) divide-se em duas palavras: "sem jugo" (Bli Ol - בלי עול), significando sem o jugo dos Céus, e também pode ser lido como "sem ascensão" (Bli Ya’al - בלי יעל), isto é, a inclinação animal no homem que desce para baixo, como está escrito: "Quem percebe que o espírito do homem é o que ascende para o alto, enquanto o espírito do animal é o que desce para baixo, em direção à terra?" (Eclesiastes 3:21) —, que engloba as quatro categorias principais de danos corporais e as quatro aparências de pragas, provenientes dos quatro elementos malignos.

E de lá estendeu-se uma Néfesh maligna para o homem, chamada Yetzer HaRá [a inclinação ao mal]; e quando esta Néfesh se fortalece sobre a Néfesh boa, vêm sobre ela os danos, as pragas e as doenças da Néfesh, e se se fortalecer excessivamente, causará a sua morte.

E eis que a Néfesh pura, que é o fruto, é composta de 613 membros e tendões, e veste-se dentro dos 613 membros e tendões da Néfesh impura, que é chamada de a casca do fruto (Klipat HaPri); e ambas juntas vestem-se nos 613 membros e tendões do corpo. Assim, encontram-se os membros da Néfesh pura dentro dos membros da Néfesh má, e os membros da Néfesh má dentro dos membros do corpo.

E eis que cada uma dessas duas Nefashot necessita de alimento espiritual para se sustentar. Contudo, o alimento espiritual da Néfesh santa é estendido a ela por meio do cumprimento da Torá, que é composta de 613 mandamentos (Mitzvot) — à semelhança dos 613 membros da Néfesh também —, sendo chamada de "pão", como está escrito: "Vinde, comei do meu pão" (Provérbios 9:5).

E cada membro, dentre os 248 membros, é nutrido por uma Mitzvá específica que se relaciona a esse membro; e quando faltar ao homem (judeu) o cumprimento de alguma Mitzvá, também ao membro específico que se relaciona a essa Mitzvá faltará o seu alimento, que se estende a ele a partir das quatro letras de Havayah, como está escrito: "E Tu dás vida a todos eles" (Neemias 9:6). E nelas dependem todas as Mitzvot, como disseram nossos Sábios, de abençoada memória (...).

E, da mesma maneira, deles são estendidas as quatro raízes dos elementos de sua Néfesh santa, conforme mencionado anteriormente, e conclui-se que aquele membro específico morre completamente. E, ao retirar-se a santidade dele, então se vestirá nele o espírito da impureza proveniente dos quatro elementos de sua Néfesh impura, no segredo do que disseram nossos Sábios, de abençoada memória: "Tsor [Tiro] não se preencheu senão a partir da destruição de Yerushalayim". E conclui-se que aquele membro passa a ser nutrido por um pão impuro e contaminado a partir de lá.

E esta é a questão de que "os perversos, mesmo em suas vidas, são chamados de mortos" (Berachot 18b); pois retirou-se deles a Néfesh santa provinda do Deus Vivo (Elohim Chayim), e sobre eles habita a morte, que é chamada de "pai dos pais da impureza" (Avi Avot HaTumah).

E, da mesma maneira, quando o homem (judeu) cumpre os 365 mandamentos proibitivos (Mitzvot Lo Taassê) ao abster-se de realizá-los — como disseram nossos Sábios, de abençoada memória: "Se o homem sentou-se e não cometeu uma transgressão, dão-lhe uma recompensa como se tivesse cumprido uma Mitzvá" (Kiddushin 39a) —, há força no alimento espiritual mencionado (pelo cumprimento dos mandamentos positivos) para se estender através dos canais, que são os 365 tendões da Néfesh, a fim de vivificar os 248 membros dela.

Contudo, quando ele comete qualquer transgressão dentre elas, então aquele canal específico que se relaciona a essa transgressão é obstruído por meio da impureza do alimento da casca (Klipá) que se adere ali; e, quando o canal seca, do mesmo modo seca aquele membro — embora não seja removido por completo, como ocorre com quem deixa de cumprir algum mandamento positivo, porém um defeito (mum) recai sobre ele.

E, por isso, o homem (judeu) precisa buscar com todas as suas forças cumprir todos os 613 mandamentos (Mitzvót); e, quando cumprir algum mandamento positivo (Mitzvát Assê), deve intencionar (icavên) remover daquele membro específico de sua Néfesh — que se relaciona a essa Mitzvá — a impureza daquela casca (Klipá). E, então, pairará sobre ele aquele membro da Mitzvá santa, após a retirada da impureza, no segredo do versículo: "E suas iniquidades estarão sobre os seus ossos" (Ezequiel 32:27) — pois quando este se levanta, aquele cai.

E, da mesma maneira, quando chegar à sua mão qualquer transgressão, ele deve abster-se de cometê-la e intencionar que, por meio disso, removerá a impureza que está no tendão específico da Néfesh relacionado a essa transgressão; e, então, a fartura espiritual (Chêfa) poderá ser estendida através do canal espiritual. E, por meio disso, sua Néfesh se tornará um trono e uma carruagem (Merkavá) para a Sua santidade, bendito seja Ele, e este é o segredo de: "Os Patriarcas, eles próprios são a Carruagem" (Bereshít Rabá 47:6, Zôhar I:173a).

Parte II:

Tudo o que Hashem fez é composto de bem e mal, uma coisa em oposição à outra. E eis que, assim como nos quatro elementos físicos — chamados de a matéria dos elementos (chômer haiessodot) — há uma composição de bem e mal, e de lá provêm as forças de sustentação do corpo ou as suas enfermidades, que são os quatro humores (a bile branca, a bile verde, a bile negra e a bile vermelha), da mesma forma ocorre nas Nefashot, que são chamadas de formas (tzurot).

Os quatro elementos nelas são, dessa mesma maneira, bem e mal; e deles estende-se a saúde da Néfesh elemental (Néfesh Haiessodit) que há no homem, que são as boas qualidades (middot), ou as suas enfermidades, que são as más qualidades estendidas a partir das quatro cascas (klipot) impuras que há naquela Néfesh.

E, quando ele as remover de si, sintonizarão e se vestirão nele as quatro letras de Havayah, que são a luz que vivifica a Néfesh elemental (Néfesh Haiessodit); e também ela e o seu corpo se tornarão uma Merkavá para a Sua santidade, bendito seja Ele, que está no Olam HaAssiá, exatamente como foi explicado a respeito da Néfesh intelectual (Nefesh haSichlit) quando ela cumpre as Mitzvot.

E lembre-se e não se esqueça de que, também por meio do envolvimento com a Torá em suas quatro interpretações, cujo acrônimo é Pardês — Pshat (literal), Remez (aludido), Drash (homilético) e Sod (secreto) —, o seu Ruach Hasichli se tornará um trono para o Nome Havayah que está no Olam Ietzirá.

E, da mesma maneira, por meio do pensamento e da Kavaná, a sua Neshamá Hasichlit se tornará um trono para o Nome Havayah que está no Olam Beriá.

(...)

Parte III:

A questão do Olam haAssiá: Eis que há sete firmamentos, e o superior é chamado de Aravót, visto que inclui as três primeiras Sefirót de Assiá, que são: a esfera do intelecto (galgál hasêchel), a esfera envolvente (galgál hamakíf) e a esfera das constelações (galgál hamazalót).

E cinco esferas — (שצמח"נ - acrônimo) —, que são: Saturno (Shabtái), Júpiter (Tzédek), Marte (Maadím), Sol (Chamá) e Vênus (Nôgah) — que são (חג"ת נ"ה - Chagát Nê), isto é: Chêssed, Gevurá, Tiferet, Nêtzach e Hod. E a sexta esfera, Iessód, inclui tanto Mercúrio (Cocháv) quanto a Lua (Levaná).

E o último é chamado de Vilón, que "nada serve" (Chaguigá 12b), pois ele é a Sefirá de Malchút de Assiá, e ela própria também se divide nas dez Sefirót que há nela. E elas são: Vilón é a Kéter que há nela; e os quatro elementos — fogo (êsh), ar (rúach), água (máyim) e terra (afár) — que estão no mundo inferior são Chochmá, Biná, as seis extremidades de Tiferet, e Malchút.

E conclui-se que a Malchút que está na Malchút que há nela é o elemento terra, receptáculo e matéria-prima para o mundo inteiro; e neste elemento terra encontram-se todos os derivados que há nela, compostos de todos os quatro elementos mencionados, no segredo do versículo: "Tudo provém da terra" (Eclesiastes 3:20).

E eis que isso foi explicado de cima para baixo; e, da mesma forma, eles estão dispostos de dentro para fora. Pois eis que o elemento terra (afár) é composto de dez Sefirót, e a Kéter que há nelas é a mais interna de todas, sendo chamada de o aspecto de Iechidá do elemento terra.

E, exterior a ela, está Chochmá. E, exterior a ela, está Biná — a Neshamá. E, exterior a ela, estão as seis extremidades de Tiferet — o Ruach. E, exterior a ela, está Malchút — a Néfesh do elemento terra.

E esta Malchút se divide nas dez Sefirót que há nela; e a Malchút mais externa dentre elas é o próprio elemento terra material, no qual não há nenhuma espiritualidade, senão uma matéria opaca/densa chamada de Domêm (o inanimado). E tudo o que está em seu interior é chamado de a Néfesh do Domêm.

E, da mesma maneira, ocorre no elemento água: pois a Malchút mais externa de todas é chamada de "águas que fazem crescer" e é denominada Tzômeach (o vegetal), e tudo o que está em seu interior é chamado de a Néfesh do Tzômeach.

E, da mesma maneira, ocorre no elemento ar (rúach) e no elemento fogo (êsh), que são o Chai (o animal/vivente) e o Medabêr (o falante/humano). Contudo, os quatro juntos são: o Domêm (inanimado) — Néfesh; o Tzômeach (vegetal) — Ruach; o Chai (animal) — Neshamá; e o Medabêr (falante) — Chaiá. E Vilón — Iechidá. E já explicamos que cada aspecto deles é composto por todos eles.

E isto é o que você encontrará nas palavras dos filósofos sob o nome de "forças" (Kochót), ao dizerem que na Néfesh vegetal (Néfesh HaTzomechát) há nela a força nutritiva, a força atrativa, a força digestiva e a força expulsiva.

E da mesma forma disseram sobre a Néfesh animal (Néfesh HaChaiá), que é chamada de a motriz e a sensitiva: que há nela a força apetitiva/emocional (coách hamit’orêr), a força imaginativa (coách hamedamê) e a força formadora/representativa (coách hametzaiêr), etc. E desta mesma maneira em todas elas.

O que resulta de tudo isso é que, embora a Malchút mais externa de qualquer aspecto que seja constitua o corpo daquele mesmo aspecto, ela não é chamada de corpo e matéria verdadeiramente opaca/densa.

Isto cabe apenas à última Malchút externa de Assiá, de cima para baixo e de dentro para fora; e esta única dimensão central é o elemento terra (afár) totalmente material. Ele é o corpo mais opaco/denso e material de todos os mundos.

(...)

E já foi explicado (Etz Chaim, portal 47, capítulo 7) que, do Mundo da Criação (Beriá) para baixo, tudo é chamado de Árvore do Conhecimento (Etz HaDáat), composta de bem e mal; porém, em cada nível deles, o bem diminui e o mal aumenta, até que se conclui que o mundo inferior é em sua maior parte mau e em sua menor parte bom.

Também foi explicado que o ímpio sempre cerca o justo; e, por isso, o bem é chamado de fruto (pri) e o mal é chamado de casca (klipá), que veste, envolve o fruto. E não apenas isto, pois até mesmo as luzes boas operam desta mesma maneira: a mais pura e espiritual delas se veste no interior das demais luzes, e assim ocorre com todas elas de acordo com a ordem de seus níveis.

E já foi explicado no portal anterior como o Ein Sof é o mais interno de todos, e exterior a Ele estão as Sefirót na ordem de seus níveis: Kéter é a mais interna de todas e Malchút é a mais externa de todas.

(...) E agora explicaremos a essência do homem (Adam), qual é o seu assunto. E iniciaremos a sua existência a partir do Mundo da Ação (Olam Haassiá), de Malchút para cima.

E eis que, no Olam HaAssiá, primeiramente há nele a sua parte inferior mencionada — a Malchút que há nele —, que é chamada de os quatro elementos do mundo inferior. E eis que todos os seus derivados foram criados no corpo que há nele, isto é, no elemento terra (afár). E eles se dividem em quatro partes:

A parte inferior dentre elas são as pedras preciosas e os metais, nos quais há apenas o elemento terra (afár) que recebeu força de todos os quatro elementos juntos a partir do corpo que há neles; eles se misturaram entre si e, a partir deles, formou-se aquele metal. Contudo, há em seu interior uma força que unificou as misturas mencionadas, e elas são chamadas de Néfesh do elemento terra (afár), a qual é composta por suas cinco forças, conforme mencionado acima.

Depois disso foi criado o vegetal (tzômeach), como as árvores e as ervas, e o seu corpo provinha do elemento terra (afár), etc.; e há nele a Néfesh do inanimado (domêm) que lhe é apropriada e, somada a ela, a Néfesh do vegetal (tzômeach), composta por suas cinco forças.

Depois foi criado o animal (chai), que são os animais domésticos/bovinos, as aves, etc. E há neles corpo, a Néfesh do inanimado (domêm) e a Néfesh do vegetal (tzômeach); e, somada a ela, a Néfesh do animal (chaiá), que é chamada de a Néfesh animal/instintiva (Néfesh HaBehemít), a motriz e a sensitiva.

Depois disso foi criado o homem falante (Adam HaMedabêr - A humanidade em geral), e há nele todas as forças mencionadas acima; e, somada a elas, a Néfesh falante (Néfesh HaMedabêret), proveniente do elemento fogo (êsh).

Mas saiba que, certamente, todos os aspectos de corpo e formas que há no homem são mais puros, translúcidos do que os do animal (chai); e os do animal, mais do que os do vegetal (tzômeach); e os do vegetal, mais do que os do inanimado (domêm). E isto ficará claro para você a partir do que escrevi acima: pois, em todos os aspectos, cada um deles é composto por todos os outros, nesta ordem, um no interior do outro.

E, depois disso, Ele criou o homem israelita (o judeu - Néfesh HaElokít), mais puro/translúcido em todos os seus aspectos do que todas as demais criaturas: em seu corpo e nos quatro aspectos de suas almas (nefashót) — a inanimada (domêmet), a vegetal (tzomechát), a animal (chaiá) e a falante (medabêret) —, provenientes da interioridade mais pura que há em cada um dos quatro elementos existentes nelas e em suas formas (isto é, as almas que há nelas).

E, por ser ele mais puro/translúcido do que todas as criaturas da terra, ele se elevou ainda mais, pois ele também está incluído e conectado a todos os mundos e a todos os seus detalhes, de baixo para cima.

E como é isso? Primeiramente, entra nele uma Néfesh a partir do firmamento de Vilón, e dali para cima, até o firmamento superior de Assiá, tudo é chamado de a Néfesh de Assiá; e esta é denominada a Néfesh intelectual santificada (Néfesh HaSichlít HaKedoshá) que há no homem. Contudo, ela própria se divide em cinco forças: Iechidá, Chaiá, etc.

Também se divide em duas divisões, de uma outra maneira: pois todos os aspectos que ele recebe dos quatro elementos são chamados de Néfesh elemental (Néfesh HaIessodít), a qual se divide nas forças mencionadas: inanimado (domêm), vegetal (tzômeach), animal (chai) e falante (medabêr).

E a Néfesh proveniente de Vilón é a coroa (Kéter) sobre todos eles e é chamada de Néfesh intelectual (Néfesh Sichlít). E aquilo que provém dos outros nove firmamentos se divide em Rúach, Neshamá, Chaiá e Iechidá que há na Néfesh. E todas elas juntas são chamadas de uma única Néfesh de Assiá, sob a perspectiva da totalidade dos mundos.

E, depois disso, ele recebe um Rúach proveniente do Mundo da Formação (Olam HaIetzirá), e este também se divide em vários níveis da mesma maneira mencionada acima. Porém, sob a perspectiva da totalidade de todos os mundos, é chamado de Rúach. E, desta mesma maneira, recebe uma Neshamá de Beriá, uma Chaiá de Atzilút e uma Iechidá de A"K (Adam Kadmón).

E eis que foi bem explicada a essência do homem (Adam): pois ele inclui a totalidade de todos os mundos, tanto em sua generalidade quanto em seus detalhes, o que não ocorre com nenhuma das demais criaturas, sejam superiores ou inferiores. Pois cada derivado de qualquer um desses mundos inclui apenas o próprio mundo no qual foi criado.

(fim da citação do Shaarei Qedushá);

Resumo:

Néfesh Elemental (Néfesh HaIessodít): É o conjunto de tudo o que a pessoa recebeu dos quatro elementos básicos da terra (as almas inanimada, vegetal, animal e falante mencionadas no item 2).

Néfesh Intelectual (Néfesh Sichlít): É a alma que vem do firmamento de Vilón. Ela senta-se no topo da Néfesh elemental como uma coroa (Kéter).

Os outros níveis da Néfesh de Assiá: Aquilo que o homem (judeu) recebe dos outros nove firmamentos superiores de Assiá divide-se nos aspectos de Rúach, Neshamá, Chaiá e Iechidá que pertencem ao nível geral de Néfesh. E se ele (o judeu) trabalhar para merecer mais, então acrescenta Naranchai completo de cada mundo espiritual.



O Artesão Da Luz